(FreePik) A educação não aparece como preocupação das pessoas, nas pesquisas. Mas a insegurança pública e a saúde, sim, questões que, com um povo mais bem educado e orientado, dariam lugar a outros quesitos. A falta de educação de qualidade é um motor central da desigualdade social e econômica no País, criando um círculo vicioso onde a baixa escolaridade limita oportunidades de trabalho e perpetua a pobreza. Sem educação, a saúde fica comprometida, porque ela é fundamental para prevenir doenças e promover qualidade de vida, capacitando indivíduos a adotar hábitos saudáveis e tomar decisões informadas. A educação reduz riscos, combate desinformações (como vacinas) e alivia a pressão sobre o sistema de saúde. Parcerias entre escolas e saúde são essenciais para crianças e jovens. E a educação é sempre bem-vinda ao debate, quando nosso histórico ajuda na interpretação dos cenários atuais em diversos fatores que afetam as vidas das pessoas. A falta de educação de qualidade influi nos índices de violência, inclusive em casos contra a mulher e envolvimento de adolescentes na prática de crimes sexuais. Evidencia a necessidade de que os políticos falem mais firmemente sobre os desafios a serem enfrentados, de como governar uma sociedade cheia de desigualdades, carências e tensões. É chegada a hora de pôr na agenda os temas que estão além da polarização entre Lula e Bolsonaro, de modo a retirar a sociedade do sofrimento de ter de escolher um candidato para impedir a vitória do outro. O que isso tem a ver com a educação? Tudo. Porque sua atenção não significa ter mais dinheiro para ser ofertada em condições melhores. O caminho é gestão! Uma visita inesperada de agentes do Tribunal de Contas do Estado (TCE) a colégios de 300 cidades paulistas constatou que há ineficiência na gestão escolar. Nesses achados, verificou-se o descontrole do material didático armazenado em condições precárias, misturado a máquinas obsoletas de escrever, computadores, material didático e os próprios uniformes – item básico para o dia a dia dos estudantes – sem atender a quase 60% das escolas, além da falta de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), em 75% delas. Urge uma revolução não mais silenciosa para acudir São Paulo como um todo, para reverter os 6,2 pontos do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e chegar a, pelo menos, os 7,7 pontos conquistados pelo Ceará, nas séries iniciais. Um bom começo de conversa. *Raul Christiano. Jornalista, escritor, ex-secretário executivo da Justiça e Cidadania de São Paulo e membro da Academia Santista de Letras