(Divulgação) Para nós, moradores de Santos, a questão das pessoas em situação de rua é muito presente. Não sei se por sermos a Terra da Caridade, pelos chuveiros e banheiros disponíveis na praia, ou por ambos, mas a verdade é que, seja na orla, no Centro ou em alguns bairros, esse problema está por toda parte. As autoridades até fazem campanhas para que não se dê esmolas ou dinheiro, mas penso que devemos ir além. A campanha deveria ser para que não se dê absolutamente nada: nem dinheiro nem comida. Fui voluntário em pelo menos duas iniciativas de distribuição de alimentos à população em situação de rua, e não estou aqui sendo contra o trabalho dessas entidades. Refiro-me à doação individual, feita na porta de casa, nas saídas do comércio ou nos semáforos, ressalvado aqueles momentos onde nosso coração pulsa dizendo que é o que devemos fazer, aí é seguir a intuição. Em Santos, há café da manhã sendo oferecido ali no começo da Avenida Campos Sales; almoço no Ismênia de Jesus; e, à noite, basta esperar em alguns pontos — como na Avenida Rodrigues Alves com ruas Manoel Tourinho ou Batista Pereira, ou próximo às catraias do mercado — que logo começam a chegar carros dessas entidades, fornecendo comida e, às vezes, uma oração. Isso sem falar no Bom Prato, com refeições a R\$ 1,00. A maioria dessas pessoas recebe algum tipo de benefício e, se reservasse R\$ 30,00, já teria uma refeição garantida por dia durante todo o mês. Não tenho uma tribuna com grande alcance, mas, por mim, lançaria uma campanha motivando cada um a primeiro, deixar de doar; segundo, olhar apenas para o seu próprio quarteirão — onde reside e trabalha — e verificar se há alguém em situação de rua para, então, fazer uma abordagem. Essa abordagem deve ser feita com cuidado: de preferência, não sozinho, mas acompanhado, durante o dia, e acionando a assistência social do município. Em Santos, isso pode ser feito pelo 153. Se não houver solução no primeiro dia, ligue novamente, convide outros a ligar também e, em algum momento, algo será feito. Doe uma palavra. Pergunte sobre os motivos, ouça com atenção. Na grande maioria dos casos, trata-se de situações ligadas ao uso abusivo de álcool e drogas. Aliás, entendo que pessoas com algum tipo de afastamento pelo INSS ou benefício vinculado a um CID (Código Internacional de Doenças) relacionado à dependência química ou ao alcoolismo deveriam ter um tutor que recebesse por elas, garantindo que o recurso não seja utilizado para sustentar o vício. Hoje, grande parte desses benefícios acaba sendo direcionada ao consumo — seja de álcool, drogas ou até mesmo apostas, as bets. *Paulo Prol Medeiros. Consultor e filósofo