[[legacy_image_330096]] Sabrina Franklin, com apenas dois anos de serviço na Polícia Militar, deixa seu marido, também policial, com o sonho de construir uma família. Covardemente, ela foi morta enquanto voltava para casa, em Parelheiros, em São Paulo, vítima de violência brutal. A imprensa, nas manchetes, resume sua vida em “PM morre após tentativa de roubo”, apagando sua identidade e sonhos. Perceber que Sabrina perdeu sua identidade de “mulher vítima de violência”, com sonhos e uma vida a ser vivida, para uma estatística fria de “PM é morta” é revoltante. No momento que Sabrina foi assassinada , estava fora de serviço e vestindo roupas civis, uma pessoa com sentimentos, aspirações e uma família. O trágico episódio é profundamente indignante e nos leva a reflexões profundas. Infelizmente, ela se tornou vítima não apenas da violência brutal, mas também da leniência que por vezes beneficia os criminosos. Sua execução covarde evidencia não apenas a fragilidade da segurança pública, mas também uma distorção na narrativa quando se trata de mulheres vítimas de violência. A sua morte não apenas representa uma perda irreparável para sua família, mas também destaca questões profundas de desumanização que permeiam a realidade dos policiais, especialmente das mulheres, na sociedade. A desvalorização do policial como ser humano, expressa na frieza com que são tratados, é chocante e inaceitável. A invisibilidade dada a essas mortes sugere uma cegueira social, como se a vida de um policial não fosse valiosa, como se não importasse. A perturbadora normalização da ideia de que os policiais estão destinados a perder a vida perpetua uma visão desoladora da sociedade. Parece que, para alguns, assinar um contrato vitalício com uma cláusula de morte certa é o destino inquestionável de quem escolhe a carreira policial. Essa normalização, naturalização e banalização da violência contra policiais revelam uma desu-manização preocupante na forma como a sociedade encara esses profissionais. A distorção na abordagem não apenas desvaloriza a individualidade e a tragédia pessoal de Sabrina, mas também perpetua uma visão desumana da violência, que, em última análise, afeta todos os policiais. É essencial que questionemos e repensemos a forma como a sociedade e a mídia abordam casos como o de Sabrina, para que as vítimas não sejam reduzidas a meros rótulos e para que a urgência em combater o crime seja verdadeiramente reconhecida e enfrentada, inclusive contra todas as mulheres, incluindo as policiais.