[[legacy_image_262402]] Onde quer que haja um cidadão luso, um seu descendente, há que se comemorar a grande conquista do povo português: a democracia em 25 de abril de 1974. Construindo uma revolução sem precedentes, esse povo conquistou a democracia, passando a eleger livremente seus representantes e exercer a soberania do Estado, com liberdade de imprensa, de manifestação, de associação e de organização política e respeito aos direitos civis e individuais do cidadão. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Simplificando, como disse um dia o escritor e jornalista brasileiro falecido em 2004 Fernando Sabino, “democracia é o direito que oportuniza a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada depende de cada um”. Na Beneficência, uma casa de origem portuguesa com certeza, a celebração pelos 49 anos da Revolução dos Cravos, movimento militar e popular que ocorreu em Portugal no dia 25 de abril de 1974, colocando fim à longa ditadura (48 anos) liderada por Antônio Salazar, se tornou uma tradição que após três anos de interrupção devido a pandemia da covid-19, volta a acontecer nesta noite de 25 de abril. O objetivo da celebração é reavivar na memória e passar às novas gerações a importância da luta pela democracia, a manutenção dessa conquista, e o referencial que foi sua forma de realização, mostrando que guerras podem nos levar ao poderio, mas também a muitas lágrimas e perdas, enquanto a união faz crescer na maioria, especialmente, o respeito à sua pátria. Em recente leitura sobre a Revolução dos Cravos, questionei: por que comemorar esse movimento? E a resposta veio de imediato: porque a democracia é a maior conquista de uma nação. E a democracia portuguesa, diferentemente da esmagadora maioria dos povos, ressaltou uma das peculiaridades lusitanas, a união dos improváveis, pois ela, a democracia de Portugal, se tornou possível com a união da população civil e militares. Foi um golpe militar? Não tenho tanta certeza, porque nas ruas, o povo se misturava aos soldados clamando por liberdade. O cravo vermelho, flor símbolo da revolução, como uma simbólica bala de canhão, cujo objetivo era atingir os corações sedentos por liberdade e progresso, partiam de diferentes mãos e iam parar na boca dos fuzis para juntos fazerem prevalecer a vontade do povo. Independentemente de opiniões, se a Revolução dos Cravos foi um golpe militar ou a união da população civil com os militares, entendemos que a conquista da democracia portuguesa deve ser comemorada não apenas pelos lusitanos, mas por nós, descendentes, porque a nossa lusitanidade, especialmente a nossa democracia deve ser ressaltada diariamente para que brasileiros e portugueses não esqueçam que os laços que nos unem são tão fortes que é impossível abordar a história do Brasil sem falar na de Portugal. Ressaltar a democracia de um povo nunca é demais, principalmente quando ela nos diz respeito, afinal a soberania popular é o grande tesouro de uma nação, cujos guardiões somos nós, o povo. Precisamos celebrar para que as novas gerações tenham mais aguçado o senso de responsabilidade pela preservação da nossa liberdade. Que as armas continuem ornadas de flores e que ruas e praças continuem vermelhas de cravos. Que o hino da revolução dos cravos Grandôla Vila Morena continue a ecoar em nossas mentes para que o perfume do cravo não sai de nossas mãos.