(Pixabay) Dizem que envelhecer é uma arte, mas não são todos que sabem fazer desta fase uma pintura. Quanto mais velha você fica, mais percebe a velocidade do tempo. Um belo dia você levanta e se olha no espelho: meu Deus, quem será que estou vendo? Ontem eu tinha 30 anos e hoje eu tenho 85! Daí para frente, uma ruga por dia, depois as pintas, cabelos brancos e outras coisas Agora, refletindo na vida maravilhosa que vivi, que tal fazer desta fase algo leve e gostoso? Desde que fiquei viúva, os horários são meus. Assisto série até tarde, me levanto às 11h, procurando aproveitar o tempo da melhor maneira possível, independentemente das câmeras do prédio do meu filho, que podem entregar o horário que chego na casa dele aos fins de semana (ainda bem que o porteiro é meu amigo). O importante é não querer levar a vida dos filhos, e sim ter sua vida própria, seu lar. Colecione amigos de todas as idades, não fique isolado e reúna pequenos grupos. Formamos um que hoje somos em cinco, com o nome de Amigas para Sempre. Nos conhecemos há 63 anos e todo mês marcamos nossa reunião e almoço. Ninguém falta e as histórias correm soltas. A mais velha tem 97 anos e a mais nova, 85 anos. Lembrei da oitava série do colégio, uma fila de meninas fazendo 15 anos, agora uma fila de velhinhas fazendo 90. Vamos nos encontrar lá em cima... De 15 em 15 dias temos o grupo do tricô, que além de “tricotarmos” a vida alheia, fazemos gorro, cachecol e mantinhas para fazermos doações. Tem também grupo do Tanamosho, onde há mais de 20 anos nos reunimos toda primeira quinta-feira do mês em um restaurante para o almoço. Com uma grande amiga de mais de 60 anos cantamos em um coral. Cantar é uma delícia, é mais uma fórmula de leveza. Aos domingos jogamos tranca no clube com outro grupo de velhinhas, uma delícia. Ainda tenho duas amigas que são minhas cuidadoras (mais novas, setentonas), uma que jogava vôlei comigo e outra que foi guia de turismo na época em que trabalhava nesta área. Vocês imaginam em quantos aniversários vou por ano? Uma dica: pegue uma foto com mais ou menos 30 anos e ponha na carteira quando as conversas de idade e velhice vierem, tire a foto e mostre, olha como eu era, a foto te deixará melhor. Podemos levar uma vida gostosa e leve. Vamos preencher nosso tempo com uma boa leitura, palavras cruzadas, sudoku... Quando perguntarem “quantos anos você tem?”, responda: tenho os que me restam, os que vivi não os tenho mais. Como meu filho fala, “depois de Albert Einstein somos nós e o tempo”. Finalizo com agradecimento muito especial para Alessandra, que “cuida” de mim como uma filha e Marta, minha nora, “minha única”. *Maria da Conceição Xavier Beschizza. Aposentada