(Pixabay) Em 1967, nascia em Santos uma ideia que mudaria para sempre a saúde privada brasileira. Um grupo de médicos visionários provou que era possível cuidar das pessoas de um jeito diferente — com mais autonomia, qualidade e humanidade. Assim se consolidou o cooperativismo médico, um modelo que, desde então, tem transformado o setor no país. O cooperativismo é muito mais que uma simples forma de organização; é um profundo sentimento de pertencimento. Diferente das empresas tradicionais, aqui os médicos são os donos do próprio negócio, dividindo responsabilidades e decidindo de forma democrática. Cada cooperado é parte viva dessa estrutura, e por isso, cada conquista ou desafio é compartilhado por todos. Essa autonomia intrínseca permite oferecer um atendimento ético e personalizado, orientado pelo bem comum. Como médico cooperado, vejo diariamente a força desse modelo, que valoriza o compromisso com o cuidado, fortalece a confiança dos pacientes e nos une em uma missão de responsabilidade coletiva. Quase 60 anos depois, esse legado segue vivo e transformando vidas. A Baixada Santista, berço dessa revolução, conta com mais de 1.500 médicos cooperados, integrados ao Sistema Unimed, a maior rede de cooperativas médicas do mundo. No entanto, o tempo mudou. A Medicina avança em ritmo acelerado com cirurgias robóticas e inteligência artificial, exigindo investimentos maciços e uma gestão moderna e implacável. A história mostra que a falta de adaptação não perdoa: algumas cooperativas que não evoluíram ficaram pelo caminho, provando que as vitórias do passado não garantem o futuro. Mesmo sob a lupa rigorosa da ANS, em meio à judicialização crescente e às altas expectativas dos pacientes, o cooperativismo médico ainda se destaca por oferecer cuidado de qualidade e preservar nossa autonomia profissional. Mas, para seguir nesse caminho, é imperativo evoluir. O futuro depende de decisões técnicas bem fundamentadas, do uso criterioso dos recursos e, principalmente, de mais diálogo com os próprios médicos que sustentam o sistema. A história nos ensinou que os resultados são fruto de um esforço de gerações, mas manter esse legado exige gestão responsável e o engajamento efetivo de cada cooperado. O recado é duro e direto: a omissão de poucos pode, sim, comprometer o trabalho de muitos. Se em 1967 a união dos médicos de Santos mudou a saúde privada no Brasil, agora, mais do que nunca, é fundamental que nós, cooperados, renovemos nosso compromisso. É hora de unirmos forças para garantir que este modelo continue a evoluir com qualidade, ética e humanidade, construindo um futuro mais saudável para todos. *Marcello Colombo Barboza. Professor universitário doutor e livre-docente em Oftalmologia, MBA pela FGV em Gestão de Saúde e diretor clínico do Hospital Visão Laser