[[legacy_image_259944]] A onda de desinformação e violência que nos atinge hoje, na forma de ameaças aos nossos professores e estudantes, toma conta das redes sociais, dos grupos de WhatsApp, e aterroriza pais, que não sabem ao certo como agir. Manter os filhos em casa, em segurança, e sucumbir às fake news, ou manda-los normalmente para a escola, temendo que um desses boatos possa se tornar realidade? Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Com as fake news se espalhando por todo o País, as autoridades passam a agir emergencialmente, reforçando a segurança nas escolas e adotando medidas mais rígidas, como revistas em mochilas e identificação dos estudantes já na portaria dos colégios. O policiamento ostensivo será a solução escolhida pela sociedade para combater a violência escolar? O Artigo 12, Inciso X, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LBDE, Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996), é claro ao definir como atribuição dos estabelecimentos de ensino “estabelecer ações destinadas a promover a Cultura de Paz nas escolas”. Apesar de constar da principal legislação que trata da educação brasileira, na prática, a Cultura da Paz ainda é falha no Brasil. A falta de estrutura nas escolas públicas não favorece a aplicação integral da Cultura da Paz e, mesmo nas escolas particulares mais renomadas, a proposta é colocada como uma ação esporádica, quando na verdade ela precisa permear todas as atividades escolares de uma maneira cotidiana, natural e fluida, não como o cumprimento de uma obrigação legal. Poucas escolas possuem programas continuados de combate ao bullying, outra exigência da LDBE (Artigo 12, Inciso IX, promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas). O bullying aparece como causa da grande maioria dos casos de violência nos colégios. Hoje, com uma transição para uma vida cada vez mais digital, não basta à escola prevenir somente durante o período de aula, porque o cyberbullying, praticado principalmente em redes sociais e grupos de WhatsApp, atinge a vítima em qualquer lugar, 24 horas por dia. Ampliar a segurança nas escolas, com a presença de policiais, revistas em mochilas e outras iniciativas é uma ação necessária, porém não ataca a origem do problema. Somente a ação preventiva, com uma política de combate ao bullying e a propagação da Cultura da Paz trará resultados duradouros ao ambiente escolar. A Cultura da Paz deve começar já na pré-escola e seguir toda a formação do aluno, com envolvimento das escolas e familiares, programas de acompanhamento das redes sociais e grupos de whatsapp, medidas que as escolas já são obrigadas a tomar pela legislação, mas que continuam negligenciadas pelos gestores escolares. As escolas, inclusive, hoje estão vulneráveis a possíveis ações judiciais por não cumprirem adequadamente a legislação. Somente a implantação real e efetiva desses conceitos vai evitar que novos casos de bullying e a disseminação de fake news aconteçam e levem a situações extremas como as que, infelizmente, vivemos hoje.