[[legacy_image_264726]] Se existe um megafenômeno social que traga esperança, é a inserção das comunidades, quebradas e antigas favelas no processo histórico pela inclusão, empoderamento e empreendedorismo. Uma insurgência começada silenciosa e que tomou corpo com conscientização, tomada de consciência e objetivação de novos caminhos de progresso e convivência. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! As comunidades vibram de projetos de inserção, desenvolvimento pessoal de talentos adormecidos e convergência de propósitos de crescimento sem perder suas peculiaridades comunais. Uma iniciativa exemplar de promoção social através do esporte que mais nos identifica brasileiros é a Taça das Favelas. Em nenhum outro estrato o termo ‘sociedade civil’ é tão vívido quanto nas comunidades e nelas surgiu uma organização que nos emociona e faz crer nas grandes lutas: a Central Única das Favelas (Cufa). E onde começar a dar visibilidade ao amplo arco de objetivos de sua gente se não pelo futebol? Com apoio da TV Globo e, em nossa região, da TV Tribuna, ela encarna, para usar terminologia pós-moderna, um case exitoso com tudo para ser modelo internacional de hubs, eixos de conexão para negócios e inovação em cadeia de contaminações virtuosas. Para ultrapassar o mero assistencialismo e erradicar a chaga do populismo, creio numa revolução gradual e interativa que faça das comunidades laboratórios para a economia realmente criativa, a economia solidária de raiz e um perfil horizontalizado a um capitalismo de autogestão possível. Indago-me que impacto essa mutação comunitária tem já e poderá ter para a Cultura, a descoberta de artistas sem holofotes e perspectivas para jovens através da arte. Nossa região tem população de muitas capitais europeias e é quase completamente desprovida de equipamentos e presença das municipalidades no que se diz respeito a bibliotecas, centros culturais, conservatórios musicais, teatros ou mesmo um ponto de internet para consulta. As prefeituras não rastreiam a produção dessas populações e não as promovem. Desconhecem a criação artística, os talentos humanos que vão das bordas da Praia Grande, passando por nossa Zona Noroeste num arco até Vicente de Carvalho. Não existe metropolização cultural. Para as prefeituras ainda não caiu a ficha de que é Arte o grande motor de transformação e enfrentamento para a exclusão e marginalidade por almas sequiosas por oportunidades. Quantos Artes no Dique não deveriam estar ocupando com criação local as mentes e corações de outras comunidades? Um violino, um palco, oficinas literárias podem promover mudanças que show de arte de massa nenhum oferece. Não confundam por favor entretenimento fugaz e pasteurizado com arte crítica, com cultura popular legitimada pela voz autônoma e resistente do povo atento e não alienado pelo mercado! Cultura não é concessão, não é cerejinha no bolo, é direito de voz aos apartados do mercado, das mídias, sem espaço nas ribaltas e que só precisam de acesso a informação para suas expressões autóctones. Ótimo que levem aulas de zumba, danças de salão ou curso para jogos eletrônicos, mas onde as companhias populares de teatro, os cursos de roteiro ou as orquestras nas comunidades? Sonho com a Taça da Cultura, a Taça das Artes nas Favelas. Na Cufa, começa o caminho.