(Adobe Stock) Celebrar o Dia Internacional da Mulher é um eterno ‘copo meio cheio, copo meio vazio. Copo meio cheio quando eu vejo vários coletivos e movimentos criando oportunidades reais para que cada vez mais mulheres ocupem espaços importantes em setores estruturantes da economia. Copo meio vazio quando os números escandaram a realidade dos feminicídios no Brasil. Copo meio cheio quando identifico cada vez mais homens usando seus espaços de fala para reconhecer o gap social imposto às mulheres. Copo meio vazio quando empresas discutem políticas de equidade partindo de um viés que insiste em não perceber o real valor econômico de abrir espaços. Copo meio cheio quando o reconhecimento do ‘trabalho invisível das mulheres’ fica cada vez mais latente. Copo meio vazio quando a banalização da violência insiste em voltar a questionar a ‘culpa da vítima’ como corresponsável pelos atos de barbárie que sofreu. E entre cheios e vazios, o que prende mesmo a minha atenção são os ‘meio cheio’. Em um mundo complexo e adverso por várias questões, ter copos meio cheio é ter copo. É ter espaço de crescimento, é ter base construída, é perceber que existe uma questão importante que precisa ser tratada e discutida. Celebrar o Dia Internacional da Mulher traz essa necessidade de perceber nossos copos. Identificar aqueles que precisamos encher e aqueles que precisamos esvaziar. É lidar com questões estruturais que balizam a sociedade e moldam o futuro. Celebrar o Dia Internacional da Mulher é quase que falar o óbvio sobre respeito, valores e humanidade, mas como dizem por aí, o óbvio também precisa ser dito. Celebrar o Dia Internacional da Mulher é concentrar o olhar no que somos, em como estamos, mas, principalmente, no que podemos criar. Que este 8 de março seja de celebração dos copos ‘meio cheios’ e na construção da consciência de que mudar a realidade dos ‘meio vazios’ é um esforço coletivo necessário. Feliz Dia das Mulheres. *Flávia Takafashi. Ex-diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários