[[legacy_image_258111]] O ruído do grande caminhão e o alarido apressado dos coletores avisam que, mais um dia, os nossos detritos domésticos estão recolhidos. Não percebo nesse grupo de coletores qualquer indício de mal humor. Estão sempre bem dispostos e educados, fazendo seu trabalho com precisão. Quando nos veem, esboçam cumprimentos ligeiros e continuam sua lida. De modo algum prejudicam o fluxo do trânsito porque são precisos no que fazem. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O lixo que produzimos, quase todos adequadamente embalados, são levados e, comumente, nos livramos deles, sejam detritos de origem orgânica ou os denominados “lixos limpos”. Observando esses trabalhadores, penso que essa é uma profissão que muitos de nós não a desempenharíamos por diversas circunstâncias. Há, porém, quem precise exercê-la, para o bem coletivo. Desde o condutor do veículo, até os que seguem agarrados na parte externa do caminhão saltando para a pista, recolhendo tudo rapidamente, jogando na grande caçamba e comandando o sincronismo dos movimentos, dá-me a impressão de que a energia e a agilidade os poderiam levar a disputar uma “modalidade olímpica”, caso existisse. Em minutos, lá vão eles, seguindo pelas vias públicas, cumprindo com classe e precisão o seu trabalho. Ao final de cada ano, eles nos lembram da costumeira “caixinha” que são oferecidas pelas pessoas que, de fato, os valorizam. Seria o nosso “presente”, como agradecimento por um ano inteiro de trabalho. Uma vez ofereci algo além de alguns trocados. Estando ciente de quantos eles eram, resolvi dar um pequeno presente para cada um, a meu ver, útil e adequado. Deixei aos cuidados do motorista e pedi que ele os distribuísse. O motorista buzinou e todos agradeceram, acenando para mim. Eu, que não fizera muito, fiquei feliz e até me emocionei. Na semana seguinte, entreguei alguns envelopes a um dos coletores, com uma pequena quantia em dinheiro para cada um, como complemento ao que oferecera na semana anterior. Foram lembranças apenas, com a pretensão de demonstrar meu agradecimento. Num outro viés, percebo, também, seres que trabalham recolhendo os “lixos da alma” de pessoas em desalinho. Eles se aproximam e erguem as mãos em saudações atentas. Oferecem olhares afetuosos e palavras de carinho a quem não consegue, sozinho, se erguer para trilhar seu próprio caminho. Os sinais de atenção ajudam no “desapego dos incômodos lixos interiores”. E esses “trabalhadores do bem” estão atentos, predispostos a trocar apertos de mãos, abraços, palavras de conforto, afabilidade na troca de olhares cordiais e sinceros. E isso nada custa a quem se importa e é capaz de oferecer esses oportunos gestos de carinho. Aos coletores, de lixos físicos e de detritos da alma, o nosso eterno agradecimento. São pessoas importantes para a nossa vida, exemplos de altruísmo e de aplicado cumprimento às atribuições a eles confiadas. São seres humanos e valiosos demais. Sem eles a coletividade estaria ainda mais desprovida dos bons princípios de uma vida saudável e feliz.