[[legacy_image_305707]] Em 1958, eu tinha 10 anos, morava na Vila Belmiro e, juntamente com outros colegas do G.E. Azevedo Junior, passava minha infância jogando bola no campo da Americana, colhendo ingá nas árvores do canal e assistindo aos jogos de futebol no Estádio Ulrico Mursa. Apaixonados por futebol, acompanhávamos sempre os jogos da Portuguesa. A gente subia no bonde 1, no Curvão, próximo ao Clube Vila Henedina, ficando em pé no estribo. Quando o cobrador vinha do nosso lado, íamos para o outro, dando risadas, até a hora em que o cobrador, louco da vida, mandava parar o bonde. Aí não tinha jeito: íamos a pé até chegar ao estádio da Portuguesa. Em frente a Ulrico Mursa, havia o Morro do Lima, onde hoje está um supermercado. Eu assistia aos jogos e treinos e convivia com os jogadores. Foi uma fase muito marcante na minha vida. Passados alguns anos, já morando em São Vicente, continuava frequentando a Briosa. Vi seu acesso à primeira divisão, tenho lembranças da Fita Azul, quando o time venceu 15 jogos no exterior - nessa época, já não havia bondes. Tenho boas lembranças de jogadores como Adelson, Gonçalo, Arouca, João Carlos, De Rosis, Dé, Marçal, Samarone, Pereirinha, Norberto, Joel Camargo, Tuico, Jovenil etc. Morando em São Vicente, tive o privilégio de ser vizinho do Gonçalo, quando ele estava no auge da carreira. Começou na Portuguesa e depois passou por Santos, São Paulo e Fluminense. Cheguei a jogar futebol com Gonçalo no campo do Brasil, no final de nossa rua, onde hoje está o Fórum de São Vicente. Tenho também encontrado o Jovenil. Somos amigos e temos boas lembranças do futebol varzeano. Em várias outras passagens pelo campo da Portuguesa, já formado e casado, me recordo de assistir aos jogos com amigos, sempre perturbando o saudoso Zé do Amendoim, patrimônio da Briosa. Sabendo que ele só vendia amendoim torrado, a gente pedia paçoca, pé de moleque e maria-mole só para perturbá-lo. Ele ficava bravo e soltava um palavrão. A gente ria e depois saboreava o amendoim torrado. Assistir aos jogos no alambrado tinha muitas vantagens, como xingar o bandeirinha e jogar nele cascas de tremoços. Assim, descarregávamos nossas energias. Hoje, apesar dos meus 75 anos, ainda frequento a Portuguesa, de forma mais discreta com meus amigos, apenas comendo tremoços e torcendo. Parabenizo o presidente Sergio Schlicht, o nosso técnico Sérgio Guedes, os jogadores e auxiliares. Hoje, a Briosa está no seu devido lugar: campeã da Copa Paulista, para alegria geral da colônia portuguesa e dos simpatizantes da nossa querida Burrinha.