Imagem ilustrativa (FreePik) Existem episódios na história do Brasil que, de tão cinematográficos, parecem pertencer ao campo da ficção. No entanto, a realidade dos porões da ditadura militar foi documentada com um rigor que sobreviveu ao tempo e ao silêncio imposto pelo Estado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É sobre essa missão fundamental da democracia que versa o novo livro-reportagem do jornalista e pesquisador Camilo Vannuchi, intitulado Nunca Mais: Os Bastidores da Maior Denúncia contra a Tortura já Feita no Brasil. O lançamento em Santos ocorre no próximo dia 23 de abril, na Realejo Livros. Publicada pela editora Discurso Direto, com o apoio do Grupo Prerrogativas e prefácio assinado por Jamil Chade, a obra é um mergulho eletrizante na força-tarefa que, entre 1979 e 1985, operou em absoluto sigilo para copiar e analisar mais de um milhão de páginas de processos judiciais do Superior Tribunal Militar. Essa operação clandestina, liderada por figuras icônicas como Dom Paulo Evaristo Arns e o reverendo Jaime Wright, resultou no histórico projeto Brasil: Nunca Mais. Vannuchi, que é mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela USP e ex-membro da Comissão da Verdade da Prefeitura de São Paulo, utiliza sua expertise para humanizar os personagens dessa jornada, detalhando como advogados, religiosos e jovens pesquisadores arriscaram suas vidas para coletar provas que identificaram nominalmente 444 torturadores e localizaram 242 centros de repressão. A narrativa é ágil e necessária, não se limitando aos dados frios, mas reconstruindo a tensão da operação que desafiou a Justiça Militar em um momento em que a abertura política ainda era uma promessa frágil. Ao expor as entranhas da violência de Estado, o autor transforma o arquivo em memória viva, combatendo o negacionismo histórico com fatos incontestáveis. A escolha da Realejo Livros para este lançamento reforça o papel de Santos como um polo de debate intelectual e defesa intransigente dos direitos humanos. O evento é aberto ao público e o livro. Mais do que a apresentação d obra, o encontro é um convite à reflexão sobre a importância de conhecer o passado para garantir que as violações de direitos humanos jamais sejam esquecidas e, principalmente, para que nunca mais se repitam no solo brasileiro. Cidinha Santos. Jornalista