Imagem ilustrativa (FreePik) “Criamos um sistema educacional para formar robôs. E agora os robôs de verdade chegaram”. Sanjay Sarma - Massachusetts Institute of Technology (MIT) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O alerta, sinal vermelho, chega de Austin (Texas) na recente edição do SXSW, evento de referência em várias temáticas com destaque à tecnologia, inovação e prospecção. A IA já está inserida de forma efetiva em nosso mundo real e cada vez mais estudantes, em vários níveis, recorrem aos chatbots de IA para buscar soluções aos seus problemas, sem qualquer esforço cognitivo. O processo de aprendizagem, essencial na evolução humana, está sendo terceirizado e o resultado provável, segundo os especialistas reunidos no referido evento, é a chegada de uma geração sem raciocínio, memória e criatividade. O professor do MIT, Sanjay Sarma, preliminarmente, alertou com tons severos: “Estamos flertando com a atrofia do cérebro”. Destacou, ainda, a necessidade de investimentos metodológicos na aprendizagem ativa, sob risco da sociedade humana perder capacidades cognitivas e competências fundamentais. Crítico do modelo educacional vigente, o professor Sarma deu ênfase à estrutura tradicional do processo ensino-aprendizagem que valoriza conteúdos baseados no saber livresco e no conhecimento explícito, com baixa atenção ao conhecimento tácito, este mais profundo e que envolve um conjunto de habilidades, julgamentos, criatividade e principalmente a metacognição. Na mesa de debates, o professor Chris Gabrieli, da Harvard Graduate School, ampliou o contexto das discussões, destacando que os avanços da IA potencializam problemas muito mais abrangentes: “É uma crise global da Educação”. E foi mais além, enfatizando que a instituição universidade passa por uma crise de identidade e corre o risco de não dar conta no enfrentamento de três tendência pesadas: os avanços das ferramentas de IA, eficientes em processos de geração de conhecimento e emulação do trabalho humano; o esgarçamento da confiança pública sobre o retorno de investimentos feitos em projetos pessoais associados ao ensino superior e as mudanças que ocorrem no mundo do trabalho, que exigem, cada vez mais, novas competências e estas não estão sendo devidamente tratadas na formação superior. Em síntese, os participantes do painel AI and the Brain, do evento SXSW 2026, concluíram que, seja em salas de aulas ou em gabinetes de tomadas de decisões a IA precisa ser vista como aliada, promovendo a visão estratégica e a adaptabilidade em mercados dinâmicos. Alfredo Cordella. Professor de Gestão do Conhecimento da Unisanta