( Reprodução/ Twitter) “Quem foi no show do Queen aqui em 81?" Assim o vocalista da banda Royal Queen lançou a pergunta para a plateia que lotou a Concha Acústica de Santos no último dia 18. Músicas de Elton John, The Smiths e Queen integraram os três shows acústicos das bandas Tirolli, Bigmouth e Royal Queen, dentro da programação do projeto Concha Rock, em homenagem ao Dia Mundial do Rock. A iniciativa, além de promover esse gênero musical, também é uma atração que proporciona o encontro de várias gerações, de turistas e munícipes. Royal Queen foi a última banda a se apresentar para uma plateia de mais de 300 pessoas, a sua maioria com idade suficiente para estar presente na primeira apresentação do Queen, em março de 1981, no Estádio do Morumbi em São Paulo. Tanto que alguns levantaram a mão, como meu marido, presente em um dos dias que reuniu mais de cem mil pessoas para assistir o lendário grupo liderado por Freddie Mercury. Mais de um quarto da população de Santos é composta por idosos, isso não é novidade. Nossa cidade sempre teve uma proporção maior dessa população em relação a outros locais. Mas Santos também tem uma boa porcentagem de crianças, além de receber famílias de turistas, principalmente em julho, com as férias escolares. As três apresentações na Concha Acústica foram recebidas com aplausos e emoção. A maioria dos presentes voltou no tempo cantando os hits que marcaram época. Mas esse artigo é para falar das crianças. Elas estavam por toda parte! No colo dos familiares, no chão, nos assentos e, principalmente, dançando e brincando em frente ao palco. A maioria, crianças pequenas. O maiorzinho, em torno dos 7 anos, um autêntico headbanger (balançando a cabeça). Cabelos longos, camiseta preta, solando uma guitarra imaginária durante todas as apresentações. As meninas também não ficaram de fora, pelo menos uma subiu no palco em um dos momentos com outras crianças e pulou com o vocalista cover de Morrissey, ao som de There Is Light That Never Goes Out. Também teve a bailarina, com sua saia de tule e bolsinha Hello Kitty, que rodopiou no chão da pista, acompanhada de outras crianças. O momento épico para mim aconteceu já na última apresentação. Descem da pequena arquibancada dois irmãos, com idade entre 3 e 6 anos, e se postam na frente do palco. De repente, para inveja do meu inglês que impede que eu duble qualquer música nesse idioma, o mais velho acompanha com perfeição a icônica canção do Queen Don’t Stop Me Now. Permanece quase todo tempo hipnotizado pela apresentação da banda, para minha admiração e do irmão menor, que ora olhava para a banda, ora olhava para o irmão. Enfim, crianças sempre fizeram parte da minha vida pessoal, do meu trabalho e também são temas das minhas pesquisas acadêmicas. Naquela tarde e noite de sexta-feira, dia 18, a despeito da grande admiração pelas apresentações no palco, o extraordinário para mim foi presenciar essa experiência com as crianças. São momentos como esse que validam as teses acadêmicas sobre antropologia da criança: elas não sabem menos ou mais que os adultos, elas sabem outras coisas... sejamos humildes para olhar, aprender e se divertir com elas. *Simone Carvalho de Oliveira. Fonoaudióloga e doutora em Ciências da Saúde