[[legacy_image_322899]] O Congresso aprovou o texto da Reforma Tributária. Por uma questão de responsabilidade, votei contra, assim como muitos deputados federais e senadores. Ninguém discute a necessidade de a reforma acontecer para desembaraçar o nó tributário que atrasa o Brasil. Mas a reforma não precisava ser apresentada e votada do jeito que foi: atendendo a pressa e a vontade de arrecadar cada vez maior do governo petista. Com um texto novo e complexo, não houve tempo para discussões e para o aprofundamento de muitas questões técnicas. Existem alguns pontos positivos, mas, por outro lado, o que era ruim ficou ainda pior. A comprovação efetiva dos problemas gerados virá de forma gradativa durante a implantação das novas normas tributárias. Em breve, teremos o maior imposto de valor agregado do mundo. Serviços de internet, aplicativos de transporte e entregas terão taxação maior. Prefeitos poderão aumentar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) como quiserem, bastando um decreto para isso. As taxas de energia vão subir por força de novas regras do setor. Graças a lobistas poderosos, as exceções e os regimes diferenciados – que deveriam diminuir – acabarão aumentando. E os setores sem privilégios vão pagar a conta com uma alíquota maior. Como sempre, tudo isso vai cair nas costas do contribuinte brasileiro. Diante da complexidade da reforma, vou me concentrar em um item que afeta a população das grandes cidades do Brasil, onde mora a maioria da população. A extinção do formato municipal do Imposto Sobre Serviços (ISS) tira R\$ 105 bilhões dos cofres municipais e incorpora esses recursos aos estados, que ficarão com 75% do valor que seria destinado às cidades. Em Santos, por exemplo, da arrecadação anual, de R\$ 1,1 bilhão de ISS, serão retirados dos cofres municipais R\$ 825 milhões – quantia superior a tudo que se investe hoje em dia na área de Educação. Isso implica em dizer que os próximos prefeitos da nossa região, e de todo o País, terão uma árdua missão para ajustar a máquina pública. Infelizmente, teremos riscos reais de redução de serviços prestados por absoluta falta de compreensão da maioria do Congresso Nacional. Da parte do contribuinte, os mais prejudicados com a majoração fiscal serão os prestadores de serviços, que pagam, hoje, alíquotas que variam entre 2% e 5%, de acordo com o tipo de atividade exercida. Agora, será feita a cobrança de uma alíquota única e é bem provável que seja fixado o valor máximo para que não haja queda de arrecadação. Esses e muitos outros transtornos poderiam ser evitados com a formulação de estudos prévios, levando em conta a ampla base de dados tributários disponível no Brasil e em todas as esferas do governo. Optou-se pelo discurso populista, da simplificação tributária, sem levar em conta a fragilidade da renda dos brasileiros e o avanço da tecnologia – que está diminuindo postos de trabalho. Na pressa e na ânsia de arrecadar, o Governo Federal forçou uma Reforma Tributária cheia de dúvidas e injustiças. A partir de agora, o tempo será o senhor da razão!