(FreePik) Há lugares que ajudam uma cidade a compreender sua própria identidade. Em Santos, o Monte Serrat é um deles. É paisagem, memória, fé, moradia e biodiversidade. É também um território que nos mostra que enfrentar as mudanças climáticas exige planejamento, responsabilidade e capacidade de ação. É nesse cenário que nasceu o Projeto de Adaptação Baseada em Ecossistemas – AbE Monte Serrat, uma iniciativa que parte de uma ideia simples e poderosa: a natureza não deve ser vista apenas como algo a ser protegido, mas também como parte da solução. O projeto foi construído com participação comunitária, conhecimento técnico e articulação institucional. Moradores contribuíram para identificar problemas e potencialidades do território, enquanto equipes técnicas e parceiros transformaram essas contribuições em propostas de adaptação. A experiência ganhou reconhecimento nacional. O AbE Monte Serrat foi selecionado pelo WRI Brasil entre dez cidades para integrar o Acelerador de Soluções Baseadas na Natureza em Cidades e contou com a parceria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a cooperação da GIZ, por meio do ProAdapta. A iniciativa já foi apresentada em importantes espaços de discussão no país, levando a experiência de Santos para além de seus limites. Entre as propostas estão revegetação com espécies nativas, recuperação de áreas degradadas, jardins de chuva, biovaletas, hortas comunitárias, melhoria dos acessos e qualificação dos espaços de convivência. São soluções que precisam caminhar junto com drenagem, estabilidade das encostas, infraestrutura e redução de riscos. O aprendizado construído no Monte Serrat também impulsionou uma nova etapa. Santos estruturou o Grupo Técnico de Trabalho de Adaptação Baseada em Ecossistemas – GTT AbE, coordenado pela Seção de Mudanças Climáticas e formado por diferentes áreas da administração municipal. O objetivo é transformar conhecimento em planejamento e ação, ampliando a capacidade do Município de identificar outros territórios onde a natureza possa ser aliada na adaptação às mudanças climáticas. Essa agenda está diretamente ligada ao Plano de Ação Climática de Santos – PACS. O desafio é fazer com que o planejamento climático se traduza em ações concretas na forma como cuidamos das encostas, das águas, das áreas verdes, dos espaços públicos e, sobretudo, das pessoas. O Monte Serrat, símbolo tão importante para Santos, mostra que memória e futuro podem caminhar juntos. Construir uma cidade mais resiliente significa integrar natureza, conhecimento, cooperação e participação. Cuidar do território é também cuidar das pessoas. *Fernanda Alarcon. Chefe da Seção de Mudanças Climáticas da Prefeitura de Santos