(Vanessa Rodrigues/ AT) Neste pleito, escolhemos as lideranças que irão administrar e legislar em nossas cidades, impactando diretamente a vida cotidiana. Na educação, o trabalho das prefeituras é decisivo: os municípios são responsáveis por 22 milhões de matrículas na formação inicial das crianças e adolescentes na rede pública - quase a totalidade da Educação Infantil, e a maior parte do Ensino Fundamental. Ao enfrentarem desafios de acesso e qualidade, e ao assumirem agendas estratégicas, como a matemática e a educação em tempo integral, prefeitas e prefeitos têm a oportunidade de deixar legados importantes. Um dos grandes desafios para os eleitos será assegurar o acesso à Educação Infantil, em especial considerando as 632 mil crianças na fila de espera por uma vaga em creches. Dessas, 64% estão em situação de vulnerabilidade social e 38% são de famílias de baixa renda. Na pré-escola, a situação ainda é preocupante: cerca de 78 mil crianças estão fora dessa etapa e metade delas (39 mil) não estão matriculadas por falta de vagas, conforme dados do Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação no Brasil (Gaepe-Brasil). Ao avançarem para o Ensino Fundamental, as prefeituras precisam se mobilizar para expandir a oferta de escolas em tempo integral com qualidade, uma estratégia comprovada para reduzir as desigualdades educacionais, especialmente em relação à raça/cor e ao nível socioeconômico. Este novo ciclo de gestão municipal também pode ser uma oportunidade para que as lideranças eleitas se destaquem na melhoria do ensino da matemática. Mesmo em regiões ricas, a maioria dos adolescentes chega ao nono ano do Ensino Fundamental sem a proficiência necessária e marcada pela crença de que matemática é para poucos, para quem ‘tem o dom’. Sem dúvida, em um país com a escala, complexidade e nível de desigualdades como o nosso, desafios educacionais como estes não podem ser enfrentados isoladamente pelas prefeituras. A colaboração entre municípios, estados, a União e a sociedade civil é indispensável. Ao mesmo tempo, há transformações nas experiências de crianças e adolescentes que começam a partir do município. Dentro desta interdependência, o compromisso das lideranças municipais escolhidas nestas eleições contém em si o potencial para mudar o cenário da educação pública brasileira. *Patricia Mota Guedes. Superintendente do Itaú Social, graduada em Ciências Políticas e em Políticas Públicas