(Imagem Ilustrativa/ FreePik) Ao analisar um conteúdo digital, uma pergunta é recorrente: quantos acessos ele gerou? Durante anos, o pageview foi métrica central do ecossistema digital, influenciando decisões editoriais e comerciais. Mas um mercado que aprendeu a medir volume precisa responder: o que define o valor de uma audiência? A dinâmica do consumo mudou. A fragmentação dos canais, a inteligência artificial e a disputa pela atenção fizeram com que visitas deixassem de explicar recorrência, fidelidade e engajamento. Buscadores, redes sociais, vídeos, newsletters e experiências mediadas por IA dividem a entrada para o conteúdo. O Reuters Institute Digital News Report 2026 mostra que redes sociais e plataformas de vídeo tornaram-se o principal meio de acesso às notícias on-line (54%), superando sites e aplicativos dos veículos (51%). O relatório aponta que, além do alcance, cresce entre publishers a busca por fidelização e conexão com o público. É nesse ponto que a economia da atenção ganha relevância. Uma audiência valiosa passa a ser medida pela disposição de permanecer, retornar e aprofundar sua interação. As Attention Measurement Guidelines, do IAB e do Media Rating Council (MRC), propõem somar aos indicadores tradicionais sinais da qualidade da exposição. Mas atenção não é o destino. É o caminho para algo mais valioso: a construção de vínculos. Por isso, comunidades ganharam espaço na agenda dos publishers, com newsletters, aplicativos, programas de membership e eventos. O objetivo deixa de ser apenas atrair visitantes e passa a criar motivos para que retornem. Isso também redefine os first-party data, ou dados proprietários. Mais do que resposta ao fim dos cookies de terceiros, eles são consequência da proximidade e da confiança. Quanto mais sólida a conexão, maior a capacidade de compreender interesses e criar experiências relevantes. A inteligência artificial reforça esse movimento. Pode personalizar experiências e gerar eficiência, mas seu valor depende da qualidade dos dados e do conhecimento sobre a audiência. A IA potencializa aquilo que os publishers já conhecem. A corrida por pageviews continuará tendo seu papel. Mas o próximo estágio do mercado editorial será liderado por quem transformar atenção em conhecimento sobre seus públicos — e esse conhecimento em novas oportunidades de negócio. Lorenzo Nicodemo. Head of Publisher Acquisition (Chefe de Aquisição de Publisher) da MGID para a América Latina