[[legacy_image_343989]] Desde quando e até quando a violência sexual tem preço? Em que tempos estamos, que sociedades são essas que se guiam pelo dinheiro que se pode pagar, independentemente do sofrimento que possa ter sido causado a outras pessoas? Acho que a resposta está no reconhecimento de que nada passou, do que desejávamos que tivesse passado, que vieram dos séculos anteriores. Se assim não fosse, como explicaríamos o fato de que homens que cometeram abuso e violência sexual contra mulheres, constatadas as suas responsabilidades, permanecem soltos? Por que seus feitos de destaque no mundo do futebol, a riqueza e os bens que possuem são mais valorados, pesados, avaliados e validados como superiores à gravidade e importância das barbaridades que tenham praticado contra mulheres? Feito isto, somos levadas ao mesmo patamar das sociedades mediavais, patriarcais, colonialistas, que deveriam ter permanecido no passado. Mas, desconfio que a cultura, o pensamento que guiava aquelas sociedades, não ficou. Está mais presente do que nunca. É simples. Dinheiro fala mais alto, prestigio social fala mais alto, superioridade de gênero fala mais alto. Quando vamos atingir um nível de civilidade que signifique rechaçar o pensamento machista, patriarcal, de homens possuidores de bens ou não, de donos do poder de mando sobre pessoas que meramente devem estar a seu serviço, para atenderem suas satisfações, como mulheres, filhos, empregados, todos na condição de servos? Os meandros da lei e da justiça têm achado uma saída para manter os privilégios dos que possuem dinheiro e poder, pouco importando o pensamento, a ideologia que os guia. Até quando predominarão valores feudais e coloniais que impõem a sua vontade e sugam a vida de outros que estariam ali para lhes servir? Valores que vêm bem acompanhados em sociedades que são resultado de processos de colonização, que disseminaram a ideia da servidão, como o Brasil. A lógica colonial permanece. Na Europa, que colonizou e no Brasil e outros países, deste e outros continentes, que foram colonizados, sugados, empenhados por valores coloniais. Somos um mundo globalizado, mais do que nunca, ficando claro , onde os rios vêm desaguar, depositar suas sobras. Há uma distância quilométrica entre o que somos e o que precisaríamos ser. Há muito a ser caminhado, muito a lutar por igualdade, por direitos humanos, para nos aproximarmos de um tempo mais justo e mais feliz.