[[legacy_image_260389]] Desde o episódio do New Deal (Novo Acordo) concebido e proposto nos 100 dias do governo do ex-presidente dos EUA Franklin Roosevelt, em 1933, para superação da crise americana gerada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque, os gestores públicos em geral passaram a adotar a prática de avaliar este período inicial de administração. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Poucos administradores, porém, conseguiram o êxito de Roosevelt, o único presidente dos EUA eleito para quatro mandatos seguidos, de 1933 a 1945, sendo o último período interrompido menos de três meses após a sua posse, diante do seu falecimento. Roosevelt não chorou o leite derramado diante do período da Grande Depressão e também enfrentou a crise da Segunda Guerra Mundial. Produziu um conjunto de medidas de retomada da economia norte-americana, envolvendo a produção de leis que abrigavam dos desempregados aos fazendeiros. Hoje, ele é considerado um dos mais grandiosos presidentes dos EUA, ao lado de George Washington e Abraham Lincoln. Na última segunda-feira, o presidente Lula fez pronunciamento para narrar seus 100 dias de governo, em seu terceiro mandato. Não teve grandes anúncios a fazer, até porque esgotou seus planos em promessas eleitorais que os mais experientes já sabiam que eram totalmente inexequíveis no cenário atual. O New Deal do presidente Lula limitou os sonhos dos brasileiros ao aumento real do salário mínimo; à isenção do pagamento do IR para renda até R\$ 5 mil; à criação de linhas de financiamento para tirar inadimplentes do Serasa e finais de semana com churrasco de picanha, acompanhado de cerveja. Não se viu, até agora, nenhuma proposta concreta de plano de governo da gestão Lula, exceto retomar obras paralisadas há décadas pelas próprias gestão do PT na pretensiosa criação do PAC. A suposta experiência acumulada em dois mandatos anteriores não se materializou nas ações iniciais deste terceiro período de gestão. A ideia que o presidente repassa à população é a de que ele ainda vive 2003. Mas há uma enorme mudança da realidade nacional nestes períodos distintos que o presidente não percebeu ou preferiu não observar. As demandas cresceram bem acima de um potencial de arrecadação diluído com os compromissos de um enorme e incontrolável endividamento. Nos primeiros 100 dias do Governo Lula, em 2003, a União exibia uma dívida pública de R\$ 3,8 trilhões, em valores atuais. Hoje, é de R\$ 8,1 trilhões. E, ao invés de enfrentar a realidade e calçar as sandálias da humildade, o presidente Lula prefere transferir responsabilidades ao Banco Central independente. Critica a taxa de juros de 13,75%, mas se esquece que, em março de 2003, com o BC sob seu comando direto, praticava juros de 26,32%. A soberba do atual governo é de tal ordem que o aliado mais próximo do presidente, o ex-ministro José Dirceu, já concede entrevistas admitindo a possibilidade da reeleição de Lula, em 2026, assim como fala na manutenção do poder pelos aliados, por mais 12 anos. Isto é o que se chama confiar nas urnas. O presidente Lula está longe de ter a percepção de Roosevelt. Agora, já começou até a questionar os livros sobre economia. Do ponto de vista histórico, o terceiro mandado de Lula lembra a soberba do retorno do imperador Napoleão Bonaparte ao comando da França para cumprir seu Governo de Cem Dias, na terceira ascensão ao poder. E o resultado foi derrota na Batalha de Waterloo e um final de carreira no exílio.