(FreePik) De acordo com a National Eating Disorders, cerca de 70 milhões de pessoas no mundo são afetadas por algum transtorno alimentar e, conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria, cerca de 15 milhões seriam brasileiros. Além de impactarem gravemente a saúde física, podendo levar a condições vitais extremas, os transtornos alimentares acarretam profundo sofrimento psíquico ao indivíduo, podendo levar a depressão severa e até suicídio. Entender a gravidade e profundidade do tema é fundamental e pode salvar vidas. Em grande parte dos casos, os transtornos alimentares são silenciosos e vividos de forma muito solitária, identificados pelas pessoas ao redor apenas pelo efeito que causam: geralmente na magreza extrema ou obesidade. E quando esses efeitos surgem, podem evocar do círculo social reações prejudiciais ao indivíduo em sofrimento, levando-o a uma piora no quadro em vez de ajudá-lo. No caso da magreza extrema, é comum ser elogiada, inclusive se a pessoa for mulher. Isso reforça o comportamento adoecido, incentivando a pessoa a continuar se auto agredindo. Na compulsão alimentar, é comum estar associada a quadros de obesidade ou excesso de peso e, pode provocar comentários inapropriados sobre o corpo ou a “força de vontade” da pessoa em sofrimento. A compulsão é uma força inconsciente que se apodera do indivíduo, perdendo o controle sobre si mesmo e isso causa profundo sofrimento. O julgamento alheio sobre esta pessoa não parar “porque não quer” é extremamente insensível e prejudicial. A falta de apoio adequado e sensível é um dos fatores primordiais que levam ao agravamento do quadro de sofrimento mental, podendo desenvolver comorbidades como depressão e até induzir ao suicídio. Uma pessoa que passa por um sofrimento mental não deve ser julgada - precisa ser acolhida. Buscar informações sobre o tema para poder entender sua gravidade é essencial. Demonstrar sensibilidade com o sofrimento vivenciado, se colocar disponível para escutar sem julgamentos, acolher com paciência e afeto, auxiliar na busca de profissionais ou instituições de atendimento psicológico, são formas importantes de auxiliar. O indivíduo que passa por um transtorno carrega também a culpa e o auto julgamento, o que só agrava seu sofrimento. Isso o impulsiona para um isolamento emocional, o que piora ainda mais seu quadro. Quando ele se sente acolhido e possui espaço de escuta afetiva, ele consegue ter força para lutar contra essa dor e isso pode, inclusive, salvar a sua vida. *Niágara R. Braga Scherer, Psicóloga, jornalista e arteterapeuta junguiana em formação