(FreePik) Mesmo sem diploma em psicologia — e com zero intenção de bancar o dr. Freud da análise comportamental — resolvi dar uma espiada nas características que definem um psicopata. Curiosidade pura, juro. A surpresa veio quando, página após página, comecei a identificar traços bem familiares... Não nos filmes, mas em muitos políticos e membros das altas cortes brasileiras. E olha que nem estou falando de ideologia A ou B — o negócio aqui parece ser, digamos, suprapartidário. Um “consenso nacional do transtorno de personalidade”. Agora, cá entre nós: será que para fazer carreira de sucesso no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário, o RH exige um leve desvio de empatia no currículo? Vamos aos fatos. Ou melhor, aos sintomas: psicopatas têm dificuldade em se colocar no lugar dos outros e sentem pouca ou nenhuma culpa, mesmo quando causam dor (lembra alguns que votaram aumento de salário enquanto o povo apertava o cinto?). Impulsividade e decisões irresponsáveis são comuns (como votar projetos sem ler ou brincar de Deus com a Constituição). Mentem e manipulam com maestria, sem perder o sono (alô, campanha eleitoral!). São carismáticos, sabem usar o charme para conquistar confiança (conquistam multidões. Mas… bem, você sabe...). Amam adrenalina — em delações, esquemas ou pedaladas fiscais. Têm desprezo por regras e leis (exceto quando é para aplicá-las com rigor seletivo). Reagem com raiva ao serem contrariados (basta assistir a uma entrevista, quando pressionado, muda de cor e distribui culpa como quem joga confete). Pisam, trapaceiam, lesam — e ainda posam de injustiçados (as lágrimas escorrem, mas os privilégios seguem firmes e fortes). Dificilmente admitem erros (a culpa é sempre do outro. Ou da rede social. Ou do antecessor). Precisam brilhar, aparecer, sentir-se superiores (vivem mais na mídia e no avião do que no local de trabalho). Usam os outros como degraus na escada do poder (e a gente que se vire com os escombros). Não sentem culpa. Nunca. Nem com recibo, vídeo e várias testemunhas. Agora, me digam: será que só eu estou tendo devaneios conspira-tórios depois de uma overdose de Google? Ou tem mais gente por aí enxergando traços de psicopatia em quem deveria ser exemplo de integridade? Se for só paranoia minha, tudo bem — aceito o diagnóstico e marco uma terapia. Mas se não for, talvez esteja na hora de trocar o teste da ficha limpa por um exame de sanidade mental no vestibular da República. *William Horstmann é engenheiro, ex-executivo e consultor.