(Carlos Nogueira/ AT) Passavam das 11 horas. Num céu de brigadeiro, brilhava um sol para cada ser humano. Descendo as ruas próximas do centro, saí à procura de um restaurante com cardápio tradicional. Para quem busca por economia, conveniência e preços módicos, a fachada do restaurante Refúgio da Fome, chamou-me atenção. Pensei, ponderei e acabei cedendo ao meu estômago faminto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Comecei a subir uma escada em forma de caracol e depois de vários degraus deparei-me com ambiente agradável, tomado por um aroma de comida caseira. Entre os atrativos da decoração, visualizei um gato deitado no parapeito de uma das janelas, um ventilador de teto que fazia mais barulho do que vento, um relógio cuco parado sem o seu pêndulo e um pôster histórico da seleção brasileira, tricampeã mundial em 1970. Observando o entorno, fui surpreendido pelo garçom, um jovem todo tatuado, que me entregou o cardápio. Sem muitas opções, escolhi um de forma aleatória. O arroz parecia ser daqueles jogados na cerimônia dos recém-casados. A salada, por ser de espinafre, fez me lembrar do marinheiro Popeye. O feijão preto parecia a sobra do que foi um dia uma feijoada. O bife a cavalo (bife com ovo em cima) não galopava na mesma toada. O drama continuou quando ao abrir a latinha de Coca-Cola, apesar de não ser champanhe, pegou pressão e fez chover refrigerante em mim e em um casal que almoçava na mesa ao lado. Diante do incidente, tentei me desculpar, quando exclamaram – Não se preocupe, tem coisa pior! Estamos tentando fisgar este peixe frito, tido como “especialidade da casa”, e não há jeito de pescá-lo. Ao final da refeição, quando me dirigi ao caixa, fui informado que só aceitavam dinheiro. Ao entregar-lhe uma nota de R\$ 50, recebi de troco apenas algumas moedas. De saída, ao passar pela última mesa, percebi um senhor gesticulando e tentando me dizer que estava engasgado. Mais do que depressa, fui ao seu encontro e ajudei-o a desengasgar-se. Com lágrimas nos olhos, agradeceu-me, e saiu meio atordoado em direção à porta. De volta à rua, passei por uma praça e sentei-me em um banco para acessar o celular. Coincidências à parte, deparei-me com um artigo no site de A Tribuna que falava sobre o sistema self-service. Carlos R. Ticiano. Articulista e romancista.