(Marcello Casal Jr/Agência Brasil) A conectividade está cada vez mais presente em todos os setores de serviços públicos, inclusive na medicina. Durante o auge da pandemia de covid-19, a telemedicina emergiu como uma ferramenta crucial para evitar o colapso do sistema de saúde no Brasil, tornando-se indispensável para o setor. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Por meio da telemedicina, os médicos podem atender os pacientes em plataformas on-line, eliminando a necessidade de encontros presenciais. Isso possibilita a realização de muitos exames no conforto do lar do paciente, com os resultados sendo enviados através de ferramentas digitais. Esse processo não apenas otimiza os procedimentos burocráticos, mas também facilita o acesso ao atendimento para pessoas com dificuldades de mobilidade. A telemedicina foi regulamentada em maio de 2022 e, conforme dados da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), desde o começo da pandemia até meados de abril de 2022, cerca de 5 milhões de consultas virtuais foram realizadas somente pelas operadoras da associação, que somam 9 milhões de beneficiários. Segundo um estudo realizado pela Associação Médica Americana (AMA), 75% das visitas a serviços médicos regulares ou de emergência são desnecessárias. Uma outra pesquisa mostrou ainda que pacientes que usaram a telemedicina tiveram 31% menos internações hospitalares, 48% menos dias totais de hospital e estavam mais preocupados com seus cuidados de saúde. É crucial destacar a segurança integral do processo de atendimento virtual, assim como a questão da adesão ao tratamento, uma vez que as novas tecnologias incentivam os pacientes a prosseguirem com seus tratamentos. Além disso, do ponto de vista dos médicos, acompanhar a jornada do paciente torna-se mais ágil e eficiente, estabelecendo uma proximidade significativa entre o paciente e o especialista. Essa interação humanizada aprimora consideravelmente o atendimento e o cuidado oferecidos. Também vale mencionar o acesso à informação médica de grandes centros às pequenas clínicas, ao diagnóstico remoto e ao encaminhamento somente dos casos que realmente necessitam de urgência, além, é claro, da otimização dos processos, redução de custos e segurança da informação, promovendo, assim, a sustentabilidade do segmento de saúde, que vem de uma escalada de altos custos de acesso. Mas esse fato convoca a sociedade na busca de solução para duas questões urgentes: aumentar a velocidade de incorporação de tecnologias nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelecer parcerias com o setor privado, no sentido de aproveitar o seu esforço criativo e de investimento na digitalização dos serviços públicos de saúde. A digitalização também trouxe a possibilidade de conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigor em setembro de 2021, já que, trabalhando com plataformas tecnológicas e eliminando o papel, é possível garantir toda a rastreabilidade de documentos. Como gerente executivo de uma organização social de saúde, tenho o compromisso de liderar iniciativas que promovam a implementação ética e equitativa da telemedicina, garantindo acesso universal aos serviços de saúde digitalizados. Através de parcerias estratégicas, investimentos em infraestrutura e educação digital, estamos comprometidos em superar os desafios e aproveitar todo o potencial da tecnologia para melhorar a qualidade e a acessibilidade dos cuidados de saúde para todos os cidadãos. *João Romano. Gerente executivo do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam)