(Marcello Casal Jr/Agência Brasil) O avanço na transformação digital na engenharia, com a aplicação de diferentes tipos de inteligência artificial (IA), das tecnologias digital twin (gêmeos digitais, tecnologia que consiste em criar modelo virtual de um objeto físico), da Internet Industrial das Coisas (IIoT) e do metaverso, em diferentes setores, são alguns dos recursos para promover o desenvolvimento sustentável. E, assim, proporcionar um maior bem-estar à população do planeta, especialmente em um cenário de envelhecimento populacional e de incertezas relacionadas às mudanças climáticas extremas. O Brasil tem muito a ganhar com transformação digital. Já em 2025 as tecnologias relevantes estarão ainda mais interconectadas para impulsionar a produtividade global sem impactar a sustentabilidade. A IA generativa será cada vez mais utilizada em processos de rotina. A título de ilustração, segundo a Forbes, o mercado de gêmeos digitais, hoje estimado em US\$ 9 bilhões, deve crescer exponencialmente, alcançando US\$ 183 bilhões até 2031. E o relatório Technology Megatrends, do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), indica que a evolução das tecnologias voltadas para a sustentabilidade e a tomada de decisões é uma das forças motrizes da transformação digital na próxima década. As áreas de saúde, energia, indústria, mobilidade urbana, estudos dos impactos das mudanças climáticas e segurança cibernética são alguns setores que mais irão se beneficiar da atual transformação digital, em curto e médio prazos. No Brasil, para que isso se torne realidade, é preciso ter mais ações, nas esferas públicas e privadas, de investimentos em pesquisa tecnológica, o que inclui infraestrutura e formação de cientistas. É fundamental viabilizar o incentivo ao ensino e ao estudo das ciências desde os primeiros anos na escola. E elaborar leis e normas para o uso das novas tecnologias. O setor de saúde, por exemplo, lida com informações sensíveis e confidenciais dos indivíduos. É imprescindível ter maior segurança no uso de dados. Seguramente as áreas da saúde, pública e privada, podem ter grande incremento com o uso de recursos tecnológicos. Para realizar pesquisas clínicas de novos medicamentos, prevenir doenças crônicas, fazer diagnósticos precoces e atendimentos seguros e eficientes. Um caminho que levará à redução de gastos e à promoção da longevidade com autonomia e independência. Para ter uma ideia, as doenças crônicas não transmissíveis são a principal causa de internação e óbitos no mundo. Países que apresentam melhor desenvolvimento em inovação têm um ponto em comum: o fomento à iniciação científica já está em um estágio que equivale, no Brasil, ao Ensino Médio. Outro aspecto em comum entre os países com um maior avanço tecnológico é a estreita colaboração do meio acadêmico com a iniciativa privada. Temos em nosso país importantes instituições de financiamento à pesquisa, porém os valores destinados aos estudos ainda são baixos. Investir na inovação tecnológica deve ser prioridade no Brasil se quisermos promover um maior bem-estar da sociedade e contribuir para o desenvolvimento sustentável. *Cristiane Agra Pimentel. Membro do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE) e professora na UFRB