[[legacy_image_278286]] A edição do A Região em Pauta da última terça-feira teve como tema Mudanças Climáticas. Esse tipo de evento é fundamental, pois, apesar da questão ser global, ainda parece prevalecer uma visão cartesiana, que carece de um entendimento pleno do sentido de sustentabilidade. De fato, é bastante complexo conciliar equilibradamente aspectos ambientais, sociais e econômicos. O discurso ambiental tem predominado, o que é justificável. O aspecto social vem logo a seguir, mas com uma visão normalmente limitada. Já o econômico: é o culpado de tudo! Recuperar manguezais, restingas, mata de jundu e dunas, enfim, essa é solução baseada em ecossistemas. No entanto, o que fazer com as pessoas que, por falta de meios dignos de sustento, ocupam áreas de risco? Não basta transferi-las para locais mais adequados: é preciso gerar empregos, para que possam se sustentar; e tributos, para que os governos possam fomentar e manter programas habitacionais, transporte público, saúde, educação e segurança. As formas de enfrentamento incluem três alternativas: remoção, com restituição das condições naturais; adaptação ou obras de proteção. Foi citado que na Praia da Enseada, em Guarujá, recuperou-se o sistema de dunas. Já no caso da orla de Santos, não há como utilizar a mesma solução, pois implicaria na remoção de toda a urbanização existente. Nesse caso, a solução fica entre a adaptação e obras de proteção costeira artificiais. O secretário de Meio Ambiente de Santos alertou contra o catastrofismo e da importância de ações efetivas de enfrentamento do problema, mostrando exemplos locais. O secretário de Transportes de Praia Grande informou sobre importante iniciativa de descarbonização do transporte coletivo em seu Município. Por fim, o representante do Instituto Cidades Sustentáveis discorreu sobre o Índice de Desenvolvimento das Cidades Sustentáveis – Brasil (IDCS-BR), com ênfase nos municípios da Baixada Santista. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) são referências utilizadas e estão interligados, pois afetam ou são afetados por questões ambientais, sociais e econômicas. Essa é a visão que deve permear qualquer ação voltada à sustentabilidade: holística e integradora. Chama atenção o fato de que tanto o IDCS-BR quanto o Índice de Desempenho Humano (IDH) e os ODS têm em comum a palavra Desenvolvimento, que tem como tradução: crescimento e progresso. No entanto, para alguns setores radicais, o desenvolvimento sustentável está sendo interpretado como estagnação ou retrocesso, sem noção das potenciais implicações na estabilidade social e até colocando em risco suas próprias intenções. Questionei o representante do instituto se já teriam feito uma correlação do IDCS-BR com o IDH. A resposta foi negativa, mas gerou uma conversa e troca de contatos, pois ele entendeu que essa comparação seria interessante, já que o motivo de minha pergunta foi a possibilidade de identificar se cidades sustentáveis também apresentam melhor desenvolvimento humano. Seria um belo argumento para superar certos discursos panfletários e negacionismos dos extremos opostos. O momento exige conscientização e mudança de cultura. Porém, há outras variáveis importantes e sensíveis a serem consideradas, nem todas de entendimento e equacionamento simples ou rápido. Parabéns, A Tribuna! São iniciativas como essa que promovem a mudança, pela troca técnica, objetiva e sensata de informações e experiências.