[[legacy_image_267078]] “A Suíça é bonita demais para parecer verdadeira...” (Brian Johnston) O escritor Brian Johnston autodenomina-se um especialista em cruzeiros e expedições: um legítimo mochileiro. Versátil que é, contribui com uma ampla variedade de artigos sobre suas viagens pelo mundo, publicando as experiências vividas em jornais, revistas e no próprio site. No jornal The Sydney Morning Herald, Johnston teve a ousadia de relacionar os países mais bonitos do mundo. Se há os que questionam o ranking de felicidade das nações, argumentando a subjetividade destas métricas, imaginem medir, comparativamente, o grau de beleza de um país. Na lista de deslumbramento de Johnston estão incluídos: Nepal, Japão, Quênia, Itália, Suíça e o Brasil, é claro! Referindo-se à Suíça, especificamente, afirma que “suas montanhas poderiam facilmente ser o lar nevado dos deuses”. Trata-se de um país peculiar, não somente pelos montes e vales, túneis imensos rasgando para o outro lado, o brilho glacial nas geleiras, “ainda” eternas, lagos de águas azuis, prados salpicados de flores silvestres mas, principalmente, pela democracia e modelo de federalismo, considerados exemplares. A democracia na Suíça é quase utópica! Fruto, aparentemente, de uma sociedade ideal, está fundamentada na dignidade humana, em leis claras e instituições verdadeiramente comprometidas com o bem-estar social. Tudo isto tendo como “motor da pertinência” a percepção de que o poder é atributo do povo. Nas decisões consideradas essenciais, a palavra do povo merece a devida atenção. Democracia, em sua concepção, é o poder que emana do povo. O problema, quando se discute o significado do Estado Democrático, por aqui, é permitir que “o povo” seja ouvido em seus anseios e atendido pelos benefícios da democracia vigente. Cabe destacar, no entanto, que não existe um modelo único de democracia. Os regimes democráticos são classificados como democracia direta, semidireta (participativa) e indireta (representativa). Na Suíça, o sistema pode ser definido como uma democracia semidireta, embora ainda existam traços da democracia direta, em alguns poucos cantões, quando a participação popular nas decisões de interesse comum ocorre sem intermediação de representantes. Não há a figura do presidente ou primeiro-ministro, o executivo é um órgão chamado Conselho Federal, composto por sete membros, cada um responsável por um ministério. A presidência e vice-presidência deste conselho sofrem um rodízio a cada ano. Os suíços são avessos a políticos que se destacam, aqueles que se apresentam muitas vezes como salvadores da pátria. Isto talvez seja fruto de seu modelo cantonal adverso à centralização. O Estado Federativo Suiço, fundado em 1848, formou-se pela agregação dos cantões que já detinham autonomia prexistente. Por aqui, a federação foi formada no sentido inverso: primeiro foi criado o Estado central e depois concebidas as unidades da federação. Por lá, a autonomia dos cantões e a oposição histórica a um governo central fortaleceram o empoderamento local, estimulando os cidadãos na busca de soluções aos próprios problemas. A tutela de um poder hegemônico praticamente inexiste no modelo político e administrativo suíço. Em síntese, os cantões intensamente localistas e associados a uma democracia participativa fazem da Suíça não somente um belo país mas um modelo bem sucedido de organização social: uma utopia? Talvez!