[[legacy_image_282298]] Li estarrecido e com muita tristeza a notícia, veiculada no último dia 8, no jornal A Tribuna, sobre a autorização para o desmantelamento e retirada do cais do Valongo do navio oceanográfico Professor W. Besnard, cuja história é muitíssimo rica no âmbito das pesquisas brasileiras, não só no aspecto nacional, como internacional. O sonho do Professor Wladimir Besnard não pode ser simplesmente descartado, jogando-se fora um acervo inigualável, preconizado há mais de 50 anos e que singrou os mares intercontinentais em busca de informações preciosas à oceanografia mundial, pelo simples fato de não se enquadrar em possíveis formas de recuperá-lo como patrimônio histórico, medindo-se apenas os custos e dificuldades operacionais atinentes a uma obra desse vulto. Um empreendimento histórico, cultural, educacional e turístico dessa ordem deveria estar muito acima de quaisquer outros interesses, como, lamentavelmente, não ocorre em nosso País, quando a história é sempre relegada a um plano secundário. Como exemplo deste fato, posso citar apenas alguns museus com navios ao redor do mundo: Museu das Naus Viking, na Noruega; Museu Marítimo dos Países Baixos, em Amsterdã; Museu Histórico Naval de Veneza; Museu do Navio de Guerra Vasa, na Suécia; além de centenas de museus espalhados pelo mundo com assuntos voltados ao setor marítimo/náutico, todos com um forte apelo turístico. Não poderia deixar de citar, também, o Espaço Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro, onde tem em exposição museal do Navio Bauru, Submarino Riachuelo e outros equipamentos de defesa, além de réplica da Nau do Descobrimento. Diante dessas premissas, como engenheiro civil, que militei, por cerca de 50 anos, no Porto de Santos, tendo sido o criador, responsável e curado do Museu do Porto, nos seus 34 anos de existência, venho, através dos meus conhecimentos e estudos relacionados ao assunto, simploriamente, em nome da comunidade, propor às autoridades competentes que se reestude uma fórmula de tornar o navio Professor W. Besnard num Museu, que junto à USP, poderia expor todo acervo das pesquisas realizadas ao longo da sua existência, além de espelhar toda sua riquíssima história, através de filmes ou depoimentos vivenciados por aqueles que efetivamente participaram da vida daquela preciosidade. Sugiro, pois, às autoridades municipais, estaduais e federal, que no projeto do Parque Valongo se inclua o Museu Marítimo Náutico Professor W. Besnard, içando o navio para terra, ou adotando-se uma semiflutuação com técnicas avançadas, tudo por conta de recursos da Lei Rouanet ou outros formatos, até porque seria mais condizente com o aludido projeto uma obra dessa natureza ao invés da construção e manutenção de uma roda gigante, que, por certo, caberia muito bem em outro local mais apropriado, com apelo somente turístico. Peço, pois, socorro a todas autoridades competentes e interessados que se juntem a essa nobre missão para salvarmos o navio Professor W. Besnard.