Imagem ilustrativa (Freepik) A violência contra a mulher não ocorre com o primeiro soco, muito menos em elevadores, hotéis. Um ano depois da instalação, em nossa Comarca, da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, o noticiário escancara o quanto ainda temos que caminhar, o quanto temos de mostrar que existe o ódio ao gênero. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Pelas notícias e depoimentos de profissionais da Medicina, de Delegacias da Mulher, do Ministério Público e do Judiciário, que prestam o atendimento e a escuta da mulher vítima de violência, não se trata apenas de agredir: a “meta” do agressor é desfigurá-la, mutilá-la e, por fim, matá-la. Quando o assunto é a violência de gênero, voltamos à Idade Média em plena era da inteligência artificial. O trajeto percorrido pelo agressor, dentro de um relacionamento, envolve muitas leituras e contextos. Nenhum serve para amenizar ou justificar atos que podem ter começado com o desprezo e a ironia (violência psicológica); o ciúme demonstrado por empurrões (violência física); as perguntas sobre o dinheiro gasto, a fala macia sobre a necessidade de conta conjunta, intensamente fiscalizada (violência patrimonial); a lembrança eterna do “dever” de ceder o corpo ao parceiro (violência sexual); as frases, ditas sem freios, sobre seu caráter, sua personalidade (violência moral). Ou, simplesmente, o ódio, escondido há tempos, não aguenta tanto disfarce e, finalmente, se mostra como é: monstruoso e covarde. Em 27 de agosto de 2024, foi instalada a Vara Especializada em Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Sua instalação percorreu longo caminho até tornar-se realidade, no 3º andar do Fórum de Santos. A OAB Santos, desde 2022, deu suporte técnico para esforços conjuntos com o Poder Público e o Judiciário: lidávamos com mulheres cujas feridas, nem a Medicina poderia cicatrizar. Suas falas deveriam sair das pilhas de processos e se tornarem audíveis em um lugar e equipe específicos. A celeridade dos processos é fator crucial tanto para a vítima de violência doméstica como para a sociedade. Segundo o TJSP, neste primeiro ano, foram realizadas 220 audiências e 435 sentenças, significando centenas de mulheres atendidas. Ainda, nossa instituição integra o Grupo Técnico de Trabalho de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar, criado pela Prefeitura de Santos. Multidisciplinar, o grupo tem como objetivo principal estabelecer e aprimorar ações e projetos de prevenção e combate à violência contra a mulher. Insistimos no olhar atento de mulheres e homens. Porque somos mulheres, não presas, não prêmio, não caça.