(Divulgação) Deuses e mitos sempre acompanharam a humanidade. Desde os tempos antigos, civilizações criaram a astrologia para desvendar os mistérios entre o céu e a existência. Crença e ciência se entrelaçam em contrastes e argumentos. Alguns encontram sentido nas descrições dos signos; outros questionam se essa influência realmente age sobre as pessoas. A astrologia é, afinal, uma busca por significado; acreditar ou não depende da forma como cada um escolhe interpretar o mundo. Essa dúvida perpassa culturas, como lembra o ditado: “no hay brujas, pero que las hay, las hay”. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Nascer sob Áries é viver a intensidade. É impaciência, pressa, coragem. Cada ideia é perseguida como se o amanhã não existisse. Às vezes arde, outras decepciona. Porém, o ardor ensina: nem toda perda é derrota. Algumas revelam quem merece permanecer ao lado; outras mostram o entusiasmo encontrando a calma. A chama, para seguir acesa, pede companhia. Clarice Lispector escreveu sobre signos em suas crônicas reunidas em A Descoberta do Mundo. Ao falar sobre os arianos, descreve: “O ariano é aquele que inaugura, que abre a porta e entra primeiro. É o impulso inicial, a coragem de começar.” Essa definição ecoa no coração de quem carrega Marte como regente. A fama de barraqueiro é injusta. Tomar a frente, decidir e assumir é instinto. A impulsividade, vista como problema, torna-se aliada para agir quando todos hesitam. Parece briga, mas é apenas a forma direta de resolver. Confundem firmeza com agressividade. No fundo, é urgência de manter a existência em movimento, onde o silêncio se disfarça de ação. Levantar a voz é pura intensidade. Conviver sem apagar a própria luz é aprendizado. O impulso de abrir caminhos só ganha sentido quando encontra quem queira caminhar junto. Talvez aí esteja a morada da vida; o ser humano foi criado para partilhar e compartilhar, quando o eu se reconhece no outro e a comunhão transcende a soma das individualidades, tornando-se um espaço de criação, de sentido e de eternidade. O tempo não é inimigo. É verdade que, a cada aniversário, esvai-se a vida um pouco mais, mas devemos evitar o fatalismo. O passar dos anos nos obriga a enxergar beleza nos detalhes e valorizar, ensinando a compreender o ritmo natural do coração. Então, chega o dia, início do ciclo zodiacal. Sinto uma renovação íntima. Soprar as velas é ritual de equilíbrio. Celebrar a chama eterna e agradecer pelos freios recebidos do destino. Momento de balanço: verificar erros e acertos, medir conquistas e aquelas ainda não alcançadas. A idade cobra consciência e oferece clareza. Cada ano não é apenas passagem, é também prova de resistência e continuidade. Hoje eu quero sair, vestir meu melhor sorriso, gozar a idade e comemorar a vida... Jardel Pacheco. Professor, escritor, diretor de Relações Públicas da Contemporânea – Projetos Culturais, membro da Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios.