(Matheus Tagé/AT/Arquivo) Participei do último fórum A Região em Pauta, que abordou um tema que está entre os mais preocupantes à população, segundo pesquisas, ao lado das questões econômicas: a complexa situação de pessoas em situação de rua, algo intimamente vinculado às políticas necessárias para assistência eficaz a quem está nessa condição e à segurança em geral. Uma vez mais, o Grupo Tribuna nos proporciona oportuno debate e contribui para reflexões e eventuais iniciativas, conforme sugestões oriundas do interessante encontro. Destaca-se a feliz apresentação feita pelo vice-governador Felício Ramuth (PSD), coordenador do plano do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no equacionamento da Cracolândia da Capital. O trabalho integrado desenvolvido nos últimos dois anos e meio envolveu ações estrategicamente articuladas unindo as secretarias de Saúde, Segurança e da área social, tanto do Município quanto do Estado. A estrutura de rede de Saúde para avaliações, diagnósticos, tratamentos, incluído internações, após abordagens habilidosas, e a criação da unidade referência HUB, com equipes interdisciplinares e destaque à saúde mental, foram fundamentais. É imprescindível ao sucesso também a identificação de condenados pela Justiça, por meio da primordial atuação da Segurança Pública, com uso de inteligência tecnológica inclusive, pessoas que utilizavam o local como esconderijo, em meio a intenso tráfico de drogas. Em suma, exitosa integração da Assistência Social, Saúde e Segurança, levando-se em conta a realidade das três características presentes, moradores em situação de vulnerabilidade, usuários de drogas e criminosos. Com relação a Santos, salta aos olhos e entristece o isolamento dos valorosos agentes sociais, com resultados limitados, tendo em vista a ausência ou dificuldade de articulação entre atores básicos e especiais. Já ocupei esse espaço para expor sobre a tentativa de ações intersecretariais na época em que estive vice-prefeito. Há cerca de uma década, não tínhamos um cenário tão amplo e poderíamos ter chegado aqui de forma mais amena, não tão aguda como a população santista se depara atualmente. Percebe-se uma omissão de estrutura. Sobre os consultórios de rua (proposta do então atuante Comad, prêmio Valorização da Vida, pela Senad, no início do século), hoje, certamente, nem podemos falar no plural, por ser único para Santos inteira. O fato de não ter sido ampliado durante duas décadas agrava a situação. O Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e outras Drogas (Caps AD), 24h, necessitaria de no mínimo três unidades (preconizado um a cada 70 mil habitantes), Recursos não faltam, pois o Município detém um dos maiores orçamentos do Estado. Ouvimos reiteradamente que “não existe cidade pronta” e até, obviamente, concordamos. Entretanto, não precisaria o gestor insistir em aprontar tão pouco em setor tão vital, não investir na estruturação prioritária e repetir os mesmos equívocos, no decorrer dos anos. Atenção integrada é o caminho. Ao contrário, é sofrimento em continuidade. *Eustázio Alves Pereira Filho. Psicólogo clínico, escritor, vice-presidente da Academia Santista de Letras e ex-vice-prefeito de Santos (2013 - 2016)