(Freepik) Kiss é um acrônimo inglês (keep it simple, stupid!) que tem o propósito de induzir as pessoas a tornarem as coisas mais simples, sempre que possível, especialmente para o “consumidor final”. A equação E=mc2, descrita por Albert Einstein em 1905, é um exemplo marcante de “simplificação” na apresentação pública de uma das principais leis do universo, por exemplo. Uma experiência profissional marcou profundamente os dois anos vividos no Pantanal, na pequena vila militar de Nioaque (MS), onde tivemos a oportunidade, entre 1986 e 1987, de “preparar” jovens para a defesa da nossa Pátria, convocando-os nas enormes fazendas que ainda hoje oferecem a maioria dos empregos disponíveis na maior planície alagada do mundo. Alguns precisavam de orientação para o uso de calçados, escovar os dentes regularmente e manter uma higiene pessoal confortável e nós tínhamos que tornar suas tarefas simples, cada um exercendo uma função prática. Não precisávamos explicar para eles como nos orientávamos pelas estrelas usando um goniômetro-bússola e, inicialmente, se assustavam com o troar dos canhões ecoando sucessivamente por compartimentos terrestres, por reverberação de um som seco e, digamos, assustador em vasta área plana e pouco habitada. Os jovens conscritos eram – e ainda são – treinados para operar os mais modernos canhões do Brasil, naquela época. Embora de origem simples e pouca escolaridade, eles eram, sem dúvida, soldados de primeira linha, pois sabiam sobreviver pegando peixes pacu, por exemplo, colocando-os diretamente no fogo para que as suas enormes escamas e pele rígida fossem usadas como prato. Eram extremamente obedientes, pois estavam acostumados a obedecer aos fazendeiros sem pestanejar, como se diz numa gíria bastante conhecida. Nós, oficiais e graduados, formados e vindos de cidades grandes, muito aprendíamos com eles, os pantaneiros, especialmente na travessia de cursos d’água e na busca de cobras vivas, não somente para proteção da tropa em um acampamento selvagem como também para levá-las a Campo Grande (MS) a fim de troca-las por soro antiofídico. *Elcio Rogerio Secomandi. Professor emérito da UniSantos e membro da Academia Santista de Letras