[[legacy_image_278519]] Uma das coisas que mais machucam o coração dos pais é dizer não. Essa palavrinha de três letras que em boa parte das vezes é advérbio, mas também pode ser substantivo, precisa ser usada – como diz a propaganda – com parcimônia. Precisa e tem de ser utilizada para que a digamos assim: “Garotada, entenda que o mundo não é feito somente de suas vontades”. O mais importante nessa história é que os pais e responsáveis também têm de saber que essa palavra educa! Não existe uma receita pronta para educar filhos, pois cada família, ou agrupamento familiar, tem suas regras, suas lógicas e seu método de ensino. Mas em todos eles, por mais diferentes que sejam, o não deve estar presente. As receitas de bolo determinam a quantidade de cada ingrediente, mas especialistas por vezes discordam e colocam uma pitada disso ou daquilo a mais ou a menos. Assim também é com o não. Isso faz parte da disciplina das crianças e adolescentes e será algo inculcado em suas mentes e corações para a vida toda. Esse advérbio de negação – vamos definir assim, como é mais conhecido – ajuda filhos, netos, sobrinhos no desenvolvimento da inteligência emocional e na resiliência às batalhas que, com certeza, enfrentarão durante suas vidas. Diz a sabedoria popular que o caráter é forjado na dificuldade e o não educativo faz parte dessa formação. Praticamente todos os pais de hoje foram criados ouvindo negativas com alguma frequência. Então, por que muitos não conseguem dizer não para os filhos e geram a permissibilidade? Quando as crianças e os jovens veem todos os seus desejos realizados e suas atitudes aprovadas, passam a entender que tudo o que é deles é mais relevante do que o que pertence aos outros. Vamos combinar que o mundo nunca foi, não é e nem será assim. A palavra-chave na educação é limite, especialmente na adolescência, quando eles têm condutas impensáveis para quem tem um pouco mais de experiência. Nessa equação, é necessário que a palavra equilíbrio prevaleça. Pais e responsáveis não podem apresentar nem excesso, nem ausência de negativas. Eles precisam de disciplina, mas, quando se usa essa palavra, muita gente visualiza retorno à Idade Média. Não é isso! Os filhos necessitam entender, através de conversa aberta e próxima, os motivos deste ou daquele não. Sim e não carecem de boa fundamentação – se possível até de forma didática e ilustrada – para que crianças e adolescentes escutem e falem num diálogo franco, aberto e proveitoso. Exemplos da atuação dos pais e responsáveis podem ser citados, como limitar o uso da internet até as 19 horas, com possibilidades de elevar nos finais de semana, feriados e férias. Para entender o mundo da garotada, é necessário se informar, ter a mente aberta, aprender e buscar esclarecimentos. Até mesmo ajuda profissional. Zelar pela vida e saúde dos filhos é lei, e os que desobedecerem estão sujeitos a punições. Pais e responsáveis precisam gastar tempo com filhos, argumentar, conversar, por mais difícil que seja devido aos afazeres diários. Com a garotada sendo corrigida de forma equilibrada, eles nunca poderão chegar à vida adulta jogando na conta dos pais quando ouvirem um sonoro não. “Se você tivesse me corrigido quando criança eu não seria assim!” Essa é uma dolorida frase que os pais atuais e os futuros precisam gravar em suas mentes e levar a garotada pelo caminho correto desse complexo e desafiador tema.