[[legacy_image_272002]] Vocês têm dimensão da importância do Sesc para a cultura, esportes, vida comunitária holisticamente saudável para nós, brasileiros, tão carentes de políticas públicas para os setores? Logicamente a indagação não exige muito esforço reconhecer na rede S (Sesc, Sesi, Senai, Senac ) o ‘case’ mais longevo e genuinamente brasileiro a dar certo num país tão afeito aos casuísmos e ‘fracassomanias’ anunciadas. Nascido muito pelo empenho do santista Roberto Simonsen, presidente da CNI, Fiesp e escritor membro da Academia Brasileira de Letras, o Sistema S chama atenção (e sou testemunho do fascínio) de muitos formadores de opinião e instituições ao redor do mundo. Costumo dizer que especialmente o Sesc é o Ministério de fato da Cultura brasileira pela qualidade de suas produções e capilaridade de suas ações em teatro, dança, literatura e motivação criativa dos centros às periferias e das periferias dando-se a conhecer aos centros. Que outra instituição estenderia a promoção das artes de Itaquera no extremo leste da megalópole a Registro, no coração do Vale do Ribeira? Hotéis-escolas, treinamentos de trabalhadores no setor de serviços, berço de atletas de todas modalidades, acolhimento para jovens aprendizes na indústria/economia criativa e porto seguro para sociabilidade da terceira idade? Sigo na contundente linha de raciocínio indagando aos leitores, em algum momento beneficiários do Sesc, onde na vida nacional que o Sistema S não seja protagonista ou parceiro das grandes iniciativas de inclusão? O Sesc é o melhor ecossistema para a concretização da utopia comunitária: integração pelo espírito com qualidade de vida saudável para o corpo e a mente. Quantos coletivos artísticos conheceram o Brasil pelo Sesc? Quanto de intercâmbio no desporto, no cinema, nas relações humanas não tornaram o Sesc um pólo natural de interligação globalizante com o melhor do pensamento e ação do planeta? Pois bem! Ainda que não tão bem... foi aprovado no Senado um projeto absurdo de remessa de 5% do orçamento destinado a esse exitoso sistema para a Embratur. É patético que quando antigas autarquias são precarizadas ou surjam novos órgãos estatais a falta de consciência do papel do Sistema S busque na sua impecável gestão abrigo para sua vulnerabilização. É preciso que digamos um não rotundo a esse projeto! É preciso que o Sesc seja reconhecido em definitivo melhor paradigma de interação virtuosa entre o Estado e a sociedade civil. Repudiando essa tentativa de fragilização do Sistema S, cito o brilhante jornalista e escritor H.L. Mencken: “Para todo problema complicado existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada”. O presidente Lula vetou os artigos que previam esse repasse, conforme previu o líder do governo no Senado. Que soluções alternativas para a Embratur se viabilizem como uma das promotoras do Turismo, porque o Sesc já o faz em sua plenitude.