[[legacy_image_290894]] Atenção: 83% dos funcionários fingem trabalhar para mostrar que estão ocupados. Muitos funcionários fingem que estão trabalhando para parecer mais úteis, evitar demissão, conseguir uma promoção ou escapar de mais trabalho. A conclusão é de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pela empresa americana Visier, que tomei conhecimento por meio do jornal O Estado de S. Paulo. Lendo essa pesquisa, tive um susto. E só piora… Os entrevistados afirmaram que mexem na tela do computador só para não entrar no modo descanso. Além disso, gastam tempo respondendo a e-mails que não exigem uma ação imediata só para parecerem ocupados. Entre os principais motivos para fingir que trabalham, 64% citam que é importante para o sucesso profissional e 41% afirmam que querem parecer mais valiosos para a empresa. Ao longo de uma semana média de trabalho, 22% dos entrevistados disseram gastar quase metade do tempo de trabalho (20 horas) em funções que não contribuem de verdade para a empresa. Um quinto dos entrevistados passa metade do tempo fingindo. E por que isso acontece? Onde está a sinceridade que tantas empresas listam entre seus valores fundamentais? Quando vejo algo assim, lembro de ideias que o grande Edward Deming citava em suas palestras: o sistema entrega aquilo que ele foi projetado para entregar. Se há comportamentos como esse, a culpa não é só do colaborador, mas da estrutura que o cerca. Pode pesquisar: provavelmente, encontrará várias promoções e elogios a pessoas que optaram por agir dessa maneira. Se a promoção fosse para o colaborador que termina suas atividades e não tem medo de falar que terminou, a realidade seria diferente. Agora, se parecer ocupado é mais importante do que entregar resultados, seguindo o procedimento definido pela empresa, o resultado será esse: 83% dos colaboradores fingindo. A pergunta dolorida: o que você prefere? Se você estiver em uma função na qual fingir trabalhar é bem-visto, pergunto: sente-se feliz com isso? Sem juízo de valor. A sinceridade consigo próprio é importante. Há amigos que admiram a cultura da malandragem e ficariam felizes em trabalhar nesse tipo de ambiente. Lembro-me do estágio. Um colega, gente boníssima, ganhou a alcunha de pirata, de tanto que ele investia nas aparências. Ao se ver cheio de trabalho burocrático e de pouca visibilidade para fazer, dava um jeito de safar-se. Levantava-se, sempre com seu caderno embaixo do braço, e caminhava sério até o corredor e então sumia. Ao ser indagado qual foi seu paradeiro, a resposta era padrão: estava em uma reunião importante, com a área cliente. O chefe, então, interpelava-o sobre o motivo da reunião não estar na agenda. Ele, interpretando um papel de maneira convincente, dizia: “Ele me chamou de última hora”. E assim ia evoluindo na vida corporativa. Para mim, adepto ao sincericídio, aquilo era um absurdo. Pela sua personalidade bonachona e pela nossa pouca importância na organização, eu não ligava. Ria, apenas. Mas percebia que, em nossa área, comportamentos daquele tipo eram recompensados. Portanto, reflita: prefere as aparências? Ou é mais afeito ao ambiente de trabalho sincero, no qual você não precisa fingir sobre as coisas? Sem julgamentos.