Fortalecer o federalismo é a chave para um país mais eficiente, competitivo e adaptado às diferenças regionais (Antônio Cruz/ Agência Brasil) As pesquisas mostram que o descontentamento com o governo atual é generalizado, mas nas regiões Norte e Nordeste a aprovação ainda supera a reprovação. Esse contraste deixa evidente que o País abriga visões políticas e econômicas bem distintas – e é exatamente isso que alimenta, de tempos em tempos, a ideia do separatismo. A proposta tem seu apelo: cada nova nação poderia adotar políticas mais alinhadas ao perfil de seus habitantes. O Norte e Nordeste manteriam um modelo mais assistencialista e centralizado, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste poderiam seguir um caminho mais liberal, com um estado enxuto e uma economia de mercado mais aberta. A divisão também traria uma vantagem curiosa: um experimento econômico em tempo real. Um “teste”, com dois sistemas distintos competindo lado a lado. Qual funcionaria melhor? Os resultados falariam por si. Mas, como qualquer solução aparentemente simples, a separação do Brasil traria desafios gigantescos. Como dividir obras de infraestrutura como rodovias, portos e hidrelétricas? O que fazer com os recursos naturais, como o pré-sal? E os territórios, como ficariam as disputas? Tudo isso poderia gerar conflitos, prejudicando o desenvolvimento de ambos os lados. Além disso, empresas que atuam em todo o País teriam que lidar com dois sistemas tributários e regulatórios. No fim das contas, a solução poderia criar mais problemas do que benefícios. Se a divisão territorial não parece o melhor caminho, então qual seria a alternativa? Simples: um federalismo de verdade.de impostos em Brasília, que depois redistribui os recursos para estados e municípios. Isso cria dependência e engessa a gestão local. Com um federalismo mais forte, estados e municípios teriam mais controle sobre seus impostos e suas políticas públicas, sem precisar negociar tudo com o governo federal. Cada região poderia definir sua própria estratégia econômica, respeitando suas vocações e necessidades. Se um estado quisesse adotar políticas mais liberais, poderia fazê-lo. Se outro preferisse um modelo mais intervencionista, também teria essa opção. No fim das contas, o problema não é o tamanho do Brasil, mas o tamanho da interferência de Brasília na vida dos estados. Fortalecer o federalismo é a chave para um país mais eficiente, competitivo e adaptado às diferenças regionais – sem precisar traçar novas fronteiras no mapa. *Engenheiro, ex-executivo e consulto