Mata natural cerca a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, em Guarujá (Nirley Sena/AT) A Tribuna publicou, em 27 de agosto de 2024, um artigo com o mesmo título acima, por meio do qual levantamos algumas considerações a respeito do Sumário Executivo, com 646 páginas, enviado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1º de fevereiro de 2021. O documento contém uma proposta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), visando elevar um conjunto de 19 fortificações coloniais ao reconhecimento como Patrimônio Mundial, por conta do seu “valor universal de excepcionalidade”. O título acima é uma paráfrase do nome de um filme épico produzido em 1953 que bem se aplica aos seis atributos – pertencimento, visibilidade, autenticidade, acessibilidade, mudança de postura e sustentabilidade – que se pretende que sejam apreciados para que o conjunto seriado de 19 fortificações coloniais que permeia o vasto perímetro do Brasil seja reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Dentre eles, destacamos dois pertencentes ao antigo sistema colonial de defesa do Porto de Santos: Forte São João (1551), em Bertioga, e Fortaleza de Santo Amaro (1584), em Guarujá. O processo indicativo para o patrimônio mundial muito se assemelha à trajetória imaginária de um arco-íris, iluminado ao longo do seu percurso por estrelas e constelações que o orientam para o “pote de ouro” (fábula irlandesa de autor desconhecido). Este olhar simbólico para a “trajetória de um arco-íris” aponta para o enfrentamento de uma longa jornada, propositalmente “longa” para viabilizar a conscientização, a consolidação e a preparação dos bens culturais a serem avaliados pelo Conselho Mundial da Unesco. Alcançar o “pote de ouro” não é tão significativo quando as ações já em andamento e conduzidas por representantes de 14 instituições educacionais e culturais indicadas na página 21 do Diário Oficial da União (DOU), de 10 de setembro de 2018. Eles quais elaboraram o Dossiê Técnico do Iphan-SP. No início de 2022, o Conselho Mundial da Unesco emitiu um documento indicativo de exigências a serem cumpridas, denominado “Nomination completeness check state party Brazil”. Um bom sinal sem dúvida, embora com exigências não terem sido cumpridas ainda. Ousamos então colocar mais uma gotinha d’água neste universo de pesquisas sobre bens culturais sobreviventes do antigo sistema defensivo colonial, que ainda hoje permeiam o vasto perímetro do Brasil, desafiando o longo passar dos séculos, as intempéries e, por vezes, o terrível abandono. Ousamos também divulgar a proposta do Iphan por meio de um website educacional de domínio público (www.secomandi.com.br) com cerca de 2 milhões de consultas em 2025, dedicado exclusivamente ao assunto, apresentando ao público em geral, o lado belo da arquitetura militar colonial que ainda permeia o vasto perímetro do Brasil. Elcio Rogerio Secomandi. Professor emérito da Universidade Católica de Santos, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e da Academia Santista de Letras.