Foto ilustrativa (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Por iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um conjunto de bem seriado foi incluído na Lista Indicativa/2015 enviada à Unesco para ascender ao honroso título de Patrimônio Mundial. O conjunto arquitetônico militar colonial é composto por 19 fortificações coloniais que permeiam o vasto perímetro do Brasil. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Tivemos a grata satisfação de prestar um serviço nacional relevante, sem remuneração, representando a Fundação Cultural Exército Brasileiro no Comitê Nacional criado pelo Iphan para auxiliar na elaboração do Sumário Executivo, com 646 páginas, enviado à Unesco. No início de 2022, o Conselho Mundial da Unesco emitiu um documento indicativo de exigências a cumprir, denominado “Nomination completeness check state party Brazil”. Um bom sinal sem dúvida, embora com exigências não realizadas até os dias atuais. As fortificações coloniais indicadas possuem qualidades ímpares mundo afora e enorme valor universal de excepcionalidade (VUE), resultante de uma análise metodológi-ca de seis componentes indispensáveis a serem examinados in loco: acessibilidade, autenticidade, sustentabilidade, finalidade, visibilidade e pertencimento. Os quatro primeiros atributos são qualificativos, ou seja, podem ser apresentados de forma incompleta, com prospectivas de ações a realizar. A visibilidade abrange a paisagem ambiental do entorno do bem patrimonial e o pertencimento refere-se ao valor simbólico que o conjunto de bem seriado tem para a população que vive no país que o indicou (Brasil, no caso). As fortificações indicadas no Estado de São Paulo - Forte de São João, em Bertioga, e Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, em Guarujá - cumprem perfeitamente as exigências acima, com uma ressalva de acessibilidade na Fortaleza de Santo Amaro, mas já com projeto arquitetônico elaborado pela coordenadoria regional do Iphan-SP. Cumpre salientar ainda que o processo indicativo para o Patrimônio Mundial se assemelha simbolicamente à trajetória imaginária de um arco-íris em busca de um “pote de ouro”. O assunto passou a fazer parte de um hobby curtido deste 1993 quando publicamos na Revista Leopoldianun, Vol. 19, uma síntese sobre as treze crônicas da saudosa jornalista Lydia Federici, publicadas no Jornal A Tribuna entre outubro de 1991 e julho de 1993, na sua coluna Gente e Coisas da Cidade. Lydia, entusiasta do processo indicativo, infelizmente não nos acompanhou na data da inauguração das obras de restauração (21 de abril de 1997), mas nos deixou, na sua última crônica (30 de julho de 1993), uma mensagem que replicamos aqui na esperança de ver aquilo que a vida não lhe deu a oportunidade de ver: “Pois é isso. Então, ao menos em imaginação, ajude, amigo, com maior ou menos força que você tem, a segurar as paredes da antiga Fortaleza da Barra, Tá?”