(Rovena Rosa/Agência Brasil) O tema da segurança pública tem conquistado destaque entre as principais preocupações da população brasileira, especialmente em um momento em que o País se aproxima de mais um ciclo eleitoral. Levantamento do Datafolha divulgado em dezembro de 2025 revelou que a segurança superou a economia entre os principais problemas do Brasil, sendo citada por 16% dos entrevistados. O dado reforça um cenário de crescente demanda por soluções capazes de reduzir a violência, ampliar a transparência das ações policiais e fortalecer a confiança da sociedade nas instituições de segurança. Em paralelo, estudos e levantamentos oficiais indicam que o uso de câmeras corporais pode desempenhar um papel relevante na diminuição da letalidade policial. Informações divulgadas em janeiro deste ano pelo Ministério Público de São Paulo mostram que, após a mudança na política de gravação contínua das câmeras corporais da Polícia Militar, houve crescimento nas mortes causadas por policiais em serviço. Isso pode ocorrer porque os dispositivos contribuem para ampliar a transparência e a qualidade das informações geradas em campo. A gravação em alta definição, aliada à captação de áudio, geolocalização e transmissão em tempo real, permite registrar ocorrências com precisão, inclusive em situações críticas. A integração com plataformas de gestão de evidências fortalece os processos de controle, investigação e segurança jurídica, protegendo tanto os agentes públicos quanto a população. O contraste deste crescimento é perceptível com o ano de 2022, quando o Estado registrou o menor índice da série histórica durante a ampliação do programa de gravação ininterrupta. Isso reacende o debate sobre como a adoção adequada da tecnologia pode contribuir para a redução da violência, o aperfeiçoamento das políticas públicas de segurança e a melhoria do serviço prestado à sociedade. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também reforçam esse potencial. Pesquisa realizada em parceria com a Unicef, divulgada em 2025, aponta que batalhões equipados com câmeras operacionais portáteis registraram uma redução de 76,2% nas mortes decorrentes de intervenções policiais entre 2019 e 2022, mais que o dobro da queda observada em unidades sem o equipamento. Em um ano de decisões, como será 2026, o tema segurança pública tende a ocupar lugar central nas discussões eleitorais. Nesse contexto, o uso estratégico e responsável de tecnologias como as câmeras corporais se apresenta não apenas como uma resposta técnica à violência, mas como um elemento essencial para orientar escolhas públicas, fortalecer políticas baseadas em evidências e avançar em um projeto consistente de segurança para o País. *Flavio Fuchs. Vice-presidente da Hytera Brasil