(Fernando Torres / CBF) Em cada canto do Brasil, o futebol sempre foi mais do que um jogo. Era uma linguagem universal que falava ao coração de todos nós. As tardes ensolaradas se transformavam em palcos de emoção, com crianças jogando bola nas ruas e sonhando em ser ídolos como Pelé, Zico ou Ronaldo. A magia do nosso futebol era alimentada por um espírito coletivo, uma paixão que atravessava gerações. No entanto, à medida que nos aproximamos da Copa do Mundo de 2026, o que vemos é um cenário desolador, marcado por vexames e pela turbulência na CBF. As derrotas da seleção têm sido um eco de desilusão, um lembrete amargo de que a glória não é garantida. Cada jogo perdido é uma ferida na alma do torcedor, um golpe na esperança que sempre nutrimos. Lembro-me de quando nos reuníamos em volta da televisão, com a emoção pulsando. O futebol nos unia, trazia um sentimento de pertencimento e de comunidade que, hoje, parece se dissipar entre escândalos e desmandos administrativos. A CBF, que deveria ser a guardiã da nossa paixão, se vê mergulhada em crises que ofuscam valores que um dia foram a essência do nosso esporte. As notícias, constantemente veiculadas, corroem a credibilidade da instituição, e a sensação de impotência nos invade a cada revelação. O que aconteceu com o futebol que nos ensinava a lutar até o último minuto? Onde estão os valores de fair play, respeito e amor ao jogo? O que vemos agora é uma dança de egos, disputas de poder que destroem a conexão que tínhamos com a Seleção. As novas gerações crescem em um ambiente onde o futebol é tratado como mercadoria e não como arte. O brilho dos campos se apaga diante de uma realidade cruel, onde o amor pelo jogo é ofuscado por interesses financeiros. É doloroso ver que, em meio a esse turbilhão, a essência do que nos fazia vibrar está sendo esquecida. A alegria das vitórias e o orgulho de vestir a amarelinha estão se tornando memórias distantes. Nosso saudosismo não é apenas nostalgia; é um clamor por um retorno aos valores que tornaram o futebol brasileiro um símbolo de alegria e união. Que possamos, um dia, ver nossa seleção não apenas como uma equipe em busca de vitórias, mas como um verdadeiro reflexo do nosso povo, que sonha, chora e celebra junto. Que a CBF possa renascer das cinzas, priorizando a integridade e a paixão pelo jogo, para que possamos, enfim, resgatar a esperança e a magia que sempre nos acompanharam. O futebol é mais do que um jogo; é a batida do nosso coração, e ele merece ser vivido em toda sua plenitude. *Alvaro Minas Ferreira Soares. Advogado, diretor adjunto de Esportes da OAB Santos