(Imagem ilustrativa/Roberto Jaymer/TSE) Há uma lenda, bastante propagada, que Santos teria se tornado uma cidade na qual predomina o bolsonarismo. Adeus aos velhos (e surrados) mitos do Porto Vermelho e da Moscou Brasileira que teriam existido muitas décadas atrás. Os santistas teriam se tornado conservadores, adeptos da extrema-direita, e alinhados, em sua maioria, aos ideais bolsonaristas que existem no País desde 2018. Recente pesquisa do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) desmente categoricamente tal afirmação. Realizada em cinco municípios da Baixada Santista (Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá e Cubatão), revelou que, no conjunto deles, apenas 12,2% dos entrevistados, quando perguntados sobre seu posicionamento ideológico, disseram que eram bolsonaristas, número menor do que daqueles que se manifestaram como lulistas (14,9%). Quando se observam apenas os dados de Santos, a situação se mantém: os bolsonaristas são 14,4% e os lulistas 15,5%. É verdade que, em Santos, somando-se os bolsonaristas e aqueles que se identificam como direita não bolsonarista, o número chega a 28,8%, enquanto os lulistas e a esquerda não lulista somam 22%. Mas o ponto importante é que a maioria dos eleitores se considera independente (34,6%). Nos cinco municípios somados, o predomínio dos independentes é ainda mais nítido e forte, atingindo 42,6%. Cai por terra, portanto, o argumento que Santos e a Baixada Santista teriam se tornado redutos do bolsonarismo. Ao contrário, os seguidores do ex-presidente e de sua corrente são minoria e que, apesar de ruidosos e agitados, não conseguem romper os limites de sua bolha original. A pesquisa, ao revelar vantagem numérica no 1º turno para Lula contra Flávio Bolsonaro na região e também em Santos, é uma evidência disso. Nos cinco municípios, quase 40% dos eleitores que se dizem direita não bolsonarista não indicam intenção de voto em Flávio Bolsonaro no 1º turno. Na realidade, o bloco mais numeroso é o dos independentes, não alinhados à direita ou à esquerda. A pesquisa não permite conclusões mais detalhadas sobre esse contingente, mas eu arriscaria dizer que são pessoas que buscam alternativas no cenário político nacional. Rejeitam ambos os candidatos (Lula e Flávio), e é exatamente a rejeição que define o voto, a um ou outro. Há cansaço em relação ao atual quadro que não encontrou alternativas. Todos os outros candidatos não empolgaram o eleitorado e apenas fazem número neste pleito. Em Santos, e na região, a situação se confirma. Quem pensa que alinhar-se ao bolsonarismo é garantia de sucesso em futuras eleições municipais, engana-se. Independentes, que são a maioria, querem mais do que um discurso moralista, retrógrado e atrasado. *Alcindo Gonçalves. Engenheiro, cientista político, professor da Universidade Católica de Santos e responsável pela metodologia e RI do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT)