(Vanessa Rodrigues/AT) Santos completará no dia 26 próximo 479 anos. Em pleno desenvolvimento, seu comércio se intensifica, bares e restaurantes aumentam em número e qualidade, hospitais melhoram os seus serviços, Universidades proporcionam todos os cursos e a pouco conhecida Federal oferece-os gratuitamente. A cultura, recentemente, vem tendo maior impulso. A Pinacoteca, a Casa das Culturas, o IHGS e a ASL proporcionam múltiplas atividades. A Tribuna informa a população em suas versões impressa e eletrônica. Pesquisa do IDL aponta Santos como a terceira melhor cidade do Brasil para aposentados viverem. Os santistas têm características próprias. São diferentes dos paulistanos, dos paulistas do Interior e dos caiçaras do Litoral Sul ou Norte. Santistas são paulistas com uma pitada de carioca. O uso do tu, o riso fácil, a piada pronta e a leveza de ser são as suas marcas principais. Os mais novos mantêm estes traços, ainda que de forma atenuada. Santistas adaptam-se a outras cidades, mas quando se encontram choram a ausência. É possível afirmar que tais características criam uma santistidade. O sufixo “dade” é usado em adjetivos, a fim de expressar determinado estado ou situação (exemplo: leal – lealdade). Assim, santistidade significa a situação de ser santista, ou seja, o modo próprio de agir que tem na praia o centro principal de convivência. Nela, o tamboréu, o futebol, as caminhadas e as barracas de associações no domingo, únicas no Brasil. A feira livre nos bairros com os vendedores chamando a freguesia com frases bem humoradas (exemplo: moça bonita não paga, mas também não leva). A simplicidade no vestir-se, as senhoras, nos bairros, indo às compras de bermuda e regata do mesmo tecido e as jovens saradas saindo à rua com a roupa usada na academia de ginástica. Passar o dia na Ilha das Palmas, fazer compras no Super Centro, comer uma média na padaria, pão de cará, a “linha da máquina” e chamar o centro de cidade, são parte da santistidade. A unir todos, a paixão pelo Santos Futebol Clube, agora, de novo, na Série A do Brasileiro, paixão que leva milhares à Vila Belmiro assistir seus jogos. Torcida apaixonada, que não faz economia aos aplausos na vitória e aos palavrões mais cabeludos na derrota. Mas, então, está se falando do paraíso? Não, evidentemente. Problemas existem, alguns iguais às demais cidades brasileiras, como o aumento de pessoas em situação de rua. Outros podem ser solucionados, como uma maior participação da população nas atividades culturais. Porém, no dia 26, vamos todos gritar: “viva Santos”! *Vladimir Passos de Freitas. Presidente da Academia Paranaense de Letras Jurídicas, professor doutor de Direito, desembargador federal aposentado, ex-presidente do TRF da 4a Região