Não é a mesma visão que temos quando caminhamos pelas antigas e já tão conhecidas calçadas (Vanessa Rodrigues/AT) A vista do Centro Histórico de Santos, a partir do 14º andar de um dos seus prédios mais altos, pode surpreender. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Não é a mesma visão que temos quando caminhamos pelas antigas e já tão conhecidas calçadas, muitas delas compostas por mosaicos de influência portuguesa. Nossos olhares perdem-se pelas fachadas das edificações mais antigas, que nos levam a uma grande e prazerosa viagem pelo tempo. Podemos imaginar quão complexa e repleta de história é essa parte da cidade, a preservar o que ainda precisamos saber para melhor entendê-la no seu contexto urbano de múltiplas funções. Observando o centro desse patamar elevado, distante um pouco mais dos ruídos rotineiros ocasionados pela movimentação do dia, pode-se vislumbrar velhos e baixos edifícios que compõem o “mar” de alvenarias construídas em outros tempos. E eu, aqui, observador desse mosaico de informações, imagino o que possa ocorrer atrás dessas paredes e sob os seus telhados antigos. Quantas vidas e discussões diferenciadas e quantas inquietações mal resolvidas e outros tantos sucessos de situações vantajosas e felizes encravam-se diariamente nas paredes e determinam a rotina da história de uma cidade originada há quase quinhentos anos nesse centro antigo. Um arrepio faz-me esbarrar nos personagens e esse contato imaginário traz-me estranha inquietude que não consigo descrever com facilidade, mas que me deixa precavido. Quase visualizo os primeiros povoadores, a fundação da cidade, a lembrança do Patriarca, a primitiva construção e o aterramento do lagamar no espaço destinado ao embrião do porto. Compreendo, então, que embora não mais estejam aqui as pessoas que já passaram por Santos, todas elas deveras importantes, conseguiram deixar marcas indeléveis na fisionomia da cidade, tal como hoje se apresenta. Os rostos e os movimentos que transcendem o tempo povoam a minha mente e fazem-me perceber a importância de cada instante vivido para a história e para o desenvolvimento dessa “terra de Braz Cubas”. A partir desse primeiro núcleo, Santos estendeu-se pelo seu terreno plano em direção ao mar, ganhando novos bairros e muitos habitantes. Modificou-se, orientou-se e definiu-se mais moderna, a decifrar-se mais complexa em ofertas e oportunidades aos seus habitantes. Seus morros, plenamente povoados, integram-se à sua paisagem urbana e determinam, no conjunto de duas realidades tão visíveis, um extenso núcleo urbanizado e característico a bem habitar: zonas Leste e Noroeste, hoje mais integradas, mesmo que tragam em cada uma, peculiaridades que as identificam. Santos, o meu berço escolhido, hoje já adulto e crescido para além desse Centro Histórico inicialmente revelado. Um complexo sítio urbano no qual vivem pessoas como eu, privilegiadas. Muitas revelações ainda estão por se perceber e se melhor conhecer para se compreender essa cidade, a mais bela de todas no seu jeito de existir, nas suas ofertas e nos seus favores para os que nela vivem e aos que a vem conhecer.