[[legacy_image_318341]] Eu me recordo dos primeiros anos de Colégio (Marista) Santista na Rua 7 de Setembro. A classe tinha em torno de 45 alunos. Todos com o corte de cabelo “americano” e sapato passo doble, com o respectivo uniforme da nossa querida instituição. Nela, 40 meninos torciam para o Santos e os outros para São Paulo, Palmeiras e Corinthians. Nesta época, as segundas-feiras eram deliciosas, pois nosso time, que um dia fora o maior clube do planeta e da história do futebol, só nos dava alegria. Meu grande amigo Aidar, corintiano que tinha uma camisa assinada pelo Rivelino, sofreu muito...Outros tempos. Tivemos o privilégio de ver e conviver com diversos craques que passaram pelo solo sagrado da Vila Belmiro. Difícil explicar a paixão incondicional por um time de futebol que é levado até seu leito de morte, sendo enterrado com a bandeira dele. Meu pai não era muito de frequentar estádios de futebol e para que eu pudesse ir à Vila Belmiro, quem me levava era o Baia, vigia do nosso prédio onde morávamos e santista fanático. Assisti diversos jogos com a cara no alambrado e atrás do gol onde o Santos atacava. Quando terminava o primeiro tempo, corria em direção ao outro gol do campo, para ver o segundo tempo da mesma maneira. No final dos jogos, vários garotos como eu pulavam o alambrado para tentar conseguir a camisa de algum craque, feito que nunca consegui. Para se acompanhar os jogos do Santos ao vivo, só pela Rádio Atlântica de Santos, com a narração do Walter Dias, pois não havia transmissões como as de hoje. Em uma das poucas vezes que consegui convencer meu pai a ir ao estádio, fomos para São Paulo ver um Santos x Corinthians. Não havia separação de torcidas. Apenas uma linha imaginária que dividia elas. Neste dia, o anel superior do Morumbi, completamente tomado, com 50% de torcedores para cada time, um show do Santos: 3 x 0, fora o Rei Pelé em tarde inspiradíssima. Quando fui para São Paulo estudar, morava na casa da minha Tia Lucila, perto do Pacaembu. Marcos, meu irmão da vida, tinha uma bandeira enorme que levamos aos jogos do Peixe, que tremulava na Torcida Jovem, toda vez que o alvinegro entrava em campo. Era um espetáculo ver todas aquelas bandeiras “hasteadas” e tremulando ao vento. Enfim, são lembranças como tantas e de tantos Santistas como eu viveram. E nesta última quarta-feira iremos conviver com esta lembrança amarga. E nada justifica os atos de selvageria feitos após este jogo. Santos, com você onde você estiver e eu com você até o fim!