Os jardins da praia são um inequívoco patrimônio de Santos, uma referência nacional e internacional registrada no Guinness World Records e no coração dos santistas (Alexsander Ferraz/AT) Os jardins da praia são um inequívoco patrimônio de Santos, uma referência nacional e internacional registrada no Guinness World Records e no coração dos santistas. Apesar dos danos causados por algumas práticas inadequadas em cordonéis que delimitam os canteiros, bancos e degraus de acesso a monumentos e praças, eles encantam nativos e turistas. A recente reurbanização da Av. Rei Pelé (antiga Almirante Saldanha da Gama), também contribuiu para embelezar nossa orla, trazendo novos equipamentos e referências, como os chafarizes e o monumento que traz o coração e o nome da cidade, que se tornou um dos pontos favoritos para fotos. Esse conjunto atrai milhares de caminhantes, leitores, pescadores, “conversantes” e esportistas todos os dias, manhã, tarde e noite, o que caracteriza nossa orla como um espaço democrático de lazer, esporte e contemplação por excelência. O que é bom pode ser melhorado? Sempre, embora seja fundamental bem manter o que já se tem. Tempos atrás, conheci a orla de Málaga, cidade portuária mediterrânea da Espanha. Ela é linda em múltiplos sentidos, e tem algumas similaridades com Santos. Uma delas é uma orla bem cuidada, que possui trechos distintos, com ocupações diversas. Vou me ater a uma delas: um trecho com cerca de 700 metros de extensão. Ele é dividido em duas partes, uma definida entre um cais acostável, onde ocorre atracação de navios de cruzeiros, e uma pista da avenida, com uma largura aproximada de 70 metros; outro fica entre as duas pista da avenida, com uns 90 metros de largura. O primeiro trecho é isolado do cais por painéis de vidro instalados ao longo de toda a extensão. O acesso aos navios de cruzeiro é segregado. Essa área é dotada de áreas e equipamentos de lazer de vários tipos. O segundo trecho é altamente arborizado, constituindo um verdadeiro jardim botânico, por contar com espécimes de várias partes do mundo. Salerno, também mediterrânea, na Itália, também tem uma orla similar, embora menos impactante. Nossos jardins da praia poderiam seguir, mesmo que parcialmente, um modelo similar ao de Málaga? Não seria possível trazer exemplares de árvores de outros países, inclusive de nossas cidades-irmãs, com a vantagem adicional de ampliar a arborização da cidade? Obviamente, as árvores não alcançarão seu porte ideal em curto prazo, mas é assim que se plantam as sementes das soluções, expressão bastante apropriada, no caso. E quanto ao símbolo de amor a Santos, na calçada da Av. Rei Pelé? A pintura vermelha do coração é apropriada, mas o cinza do nome é apagado. Ambos são pouco visíveis à noite. Que tal pintá-los com tinta reflexiva, para destacar o monumento no período noturno? Outra alternativa seria aplicar microesferas de vidro, do tipo utilizado em sinalização horizontal de trânsito, ou um “mix” das suas sugestões. Enfim, está bom como está. Mas ficam essas sugestões que, creio, podem agregar valor ao conjunto da obra da orla de Santos. *Escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras