(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) A realização da COP30 no Brasil, em novembro do ano passado, reiterou a urgência global em transformar metas climáticas em realidade. Em Santos, a iniciativa já inspira resultados, como é o caso dos três protótipos desenvolvidos pelo Clima Lab, laboratório de inovação cidadã criado para aproximar o Plano Municipal de Ação Climática (Pacs) da vida cotidiana das pessoas. Portanto, enquanto o debate global aponta caminhos, Santos já experimenta passos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em tempos de emergência climática, quando o imaginário coletivo oscila entre catástrofe e paralisia, o Clima Lab nasce como um gesto de coragem. Ele parte de uma convicção simples e radical: se queremos cidades capazes de resistir ao que vem, precisamos fazê-las com quem vive nelas. O Lab é fruto do amadurecimento da Rede pelo Clima, espaço que reuniu, ao longo de 2023 e 2024, moradores, coletivos, organizações, técnicos e pesquisadores. Inspirada por metodologias de inovação cidadã aplicadas pelo Instituto Procomum, Santos decidiu apostar em algo que falta ao debate climático nacional: processos que devolvem às pessoas o lugar de protagonistas da mudança e tratam a inovação cidadã como tecnologia indispensável para a adaptação. O exercício participativo, ancorado no Eixo 7 do Pacs, dedicado à governança e participação, fortalece a própria gestão municipal, ampliando capacidade institucional, criando canais de confiança, alinhando expectativas e aprimorando a governança. Assim, a parceria entre Instituto Procomum e Prefeitura revela que é possível construir colaboração real mesmo em contextos marcados por burocracias rígidas e ritmos institucionais desafiadores. As decisões do Lab foram tomadas de forma coletiva, em processos abertos, documentados e mediados. Esse desenho não é apenas um método, mas uma afirmação: a democracia não é um ornamento da política climática — ela é seu motor. Os protótipos apresentados traduzem essa visão. O grupo de Governança, com mentoria da Cidade Democrática, constrói mecanismos para acompanhar e fortalecer a participação social no Pacs. O de Agenda, orientado pela Casa Fluminense, trabalha para ampliar o engajamento público e narrar a justiça climática desde o território, e não sobre ele. O grupo de Soluções, acompanhado pelo Coletivo 302, concebeu o Abrigo Climático: um espaço de cuidado, refúgio e infraestrutura básica para ondas de calor e eventos extremos — uma solução que une simplicidade e profundidade, técnica e humanidade. A COP30 pediu implementação. Santos responde com imaginação política. O Lab lembra que a ação climática é, acima de tudo, um exercício de futuro — e que imaginar futuro, hoje, é um ato de responsabilidade coletiva. Cidades que ousam construir respostas com suas comunidades não constroem apenas adaptação. Elas fortalecem a democracia. Carlota Mingolla. Diretora institucional do Instituto Procomum. Gabriel Micelli. Secretário-adjunto de Meio Ambiente de Santos.