Foto ilustrativa (Alexsander Ferraz/AT) William Bonner, com elegância de Cary Grant, nos dava primeiros informes eleitorais destacando Santos pela sua história e seu porto estratégico, ao que é complementado pela brilhante Renata Lo Prete analisando termos, aqui, mais uma disputa de direita versus direita. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Ressalvo aí um reducionismo ou simplificação conceitual, Rogério Santos não encarna sob nenhum ponto de vista um direitista. Não rendeu-se ao esdrúxulo conceito de escolas cívico-militares, manteve padrões civilizados na questão dos moradores de rua ante teses “higienistas” da oposição, manteve políticas de ponta na questão de saúde mental e para as causas LGBT. Foi através da Cultura que revelou-se ainda no primeiro turno uma convergência progressista com ares de frente ampla contra o fascismo caiçara. Tivemos eu e o Dr. José Geraldo Gomes Barbosa a oportunidade de reviver o Forum Santos Cultural criado por Gilberto Mendes mobilizando centenas de artistas, intelectuais e formadores de opinião na defesa dos valores democráticos santenses. Destaco a participação do infectologista de relevo internacional Fábio Mesquita, do imenso jornalista Carlos Conde e do diretor de teatro Renato Di Renzo na linha de frente no combate ao obscurantismo. Fui muito inspirado pela série antológica do mestre Alcindo Gonçalves nessa histórica Tribuna. Seus “Apelo aos liberais” e “Porque Santos virou à direita” devem encabeçar um livro precioso de ciência política contemporânea. A ótima gestão do prefeito Santos, seu perfil agregador e a liderança inconteste do deputado Paulo Alexandre foram propulsores determinantes na primeira volta do pleito, mas o rescaldo progressista e eleitores de esquerda foram vitais para a vitória. Fez-se aqui o que Macron urdiu na França contra a Sra. Le Pen. Capitaneados pelo bravo democrata Nelson Fabiano vimos médicos, humanistas do Direito, agentes sociais e culturais cerrando fileiras por Rogério ou tão somente contra o execrável bolsonarismo. As aviltantes declarações do “inominável” ex-presidente sobre a impecável atuação de Rogério durante a pandemia selaram os brios do que nos resta de iluminismo praiano. Rogério deverá ater-se a questões candentes para as próximas décadas: a mudança climática, os eventos climáticos extremos e nossa vocação portuária. Se Barcelona e Gênova nos servem de modelo é por terem na convivência porto-cidade um fator no meio: a Cultura, a vida noturna, a hjstória, a mentalidade cosmopolita de portas abertas ao mundo. O prestigiamento de um poeta na direção de uma Casa de Culturas que se revela um estrondoso sucesso é testemunho vivo de um caso raro de governante que ouve artistas da terra. Recordo do quanto Telma e Paulo Alexandre ouviam Gilberto Mendes e quanto este escritor tem sido ouvido com toda classe artística. O apoio dos militantes da Cultura foi quase unânime a Rogério. Em duas assembleias gigantes o prefeito incorporou muitos pontos sugeridos. Precisamos de uma Biblioteca Central revitalizada, de capilaridade cultural por toda cidade, parcerias fortalecidas com a Pinacoteca Benedicto Calixto, com o Forum da Cidadania, com o Arte no Dique. Provou-se que é através de poderosas políticas públicas para a Cultura com liberdade que criamos um ambiente que nunca recaia nos extremismos reacionários. Alívio e união.