(Matheus Tagé/AT/Arquivo) Em primeiro lugar, parabenizo o jornal A Tribuna pelo projeto Santos 500+, que discute em seis encontros como o Município chegará aos 500 anos em 2046. Também destaco a decisão do prefeito Rogério Santos (Republicanos), que nomeou a vereadora e ex-vice-prefeita Renata Bravo (PSD) para comandar a Secretaria de Desenvolvimento Social. Faço essas duas considerações por conta do tema que trago para discussão hoje com os leitores: pessoas em situação de rua. Em dezembro de 2024, escrevi nesta Tribuna Livre que o tema representa o maior desafio de política pública urbana na Baixada Santista e tenho a convicção de que isso precisa ser resolvido pelos nove prefeitos da região de forma conjunta. Também que é importante que o Governo do Estado participe da busca por uma solução e dê mais aporte à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, afinal, essa situação também é de sua responsabilidade. Na primeira edição do projeto Santos 500+, foi destacado que as autoridades da cidade e a sociedade civil avaliam novas oportunidades com o aumento da população idosa. Contudo, creio que isso não englobe a população em situação de rua, mesmo com Santos sendo a primeira da região e a terceira cidade do Estado nesse triste ranking, segundo o Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH), do Governo Federal, com dados catalogados até 2023. Tenho percebido diariamente o crescimento da população idosa em situação de rua nos bairros Aparecida e Estuário, próximo à Avenida Almirante Cochrane (Canal 5) e à Rua Antonio Maia, onde existem comércios de recicláveis e a aglomeração é constante. Portanto, não bastam disposição e comprometimento das autoridades municipal para minimizar o sofrimento e a expansão dessa parcela da população. Há a necessidade de convocação da sociedade civil e também dos comerciantes de recicláveis para que ocorra um mapeamento efetivo de quantos idosos estão nessa situação e como oferecer-lhes atendimentos médico e social. É preciso haver um olhar mais humano ao envelhecimento da população em situação de rua e, quem sabe até com aluguéis de imóveis sem utilização em vários bairros da cidade, impedir que essas pessoas sejam descartadas socialmente. Um trabalho que exige a união da Administração Municipal e da sociedade. *Martinho Leonardo. Presidente da Associação de Moradores do Bairro Aparecida