André de Soveral nasceu em São Vicente, em 16 de julho de 1572. Filho de portugueses que lhe transmitiram a fé cristã e batizado na Igreja Matriz da cidade, teria estudado no Colégio Menino Jesus, sob influência de José de Anchieta. Aos 21 anos, ingressou na Companhia de Jesus e, após os estudos, foi enviado a Olinda. Em 1597, iniciou a missão evangelizadora no Rio Grande do Norte. Mais tarde, deixou a ordem e tornou-se padre diocesano em Natal. Na Região Nordeste, trabalhou em Cunhaú, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, nome do navio de Martim Afonso de Sousa, quando chegou às terras brasileiras. O povoado local formado em torno de um engenho de açúcar. Em 15 de julho de 1645, chegou ao local Jacó Rabe, alemão a serviço do Conselho Holandês, convocando a comunidade para ouvir suas ordens. No dia seguinte, domingo, durante a missa celebrada por padre André na Capela de Nossa Senhora das Candeias, as portas foram fechadas e iniciou-se um massacre contra os fiéis. Os holandeses calvinistas, contrários ao domínio português e hostis aos católicos, executaram a matança com apoio de índios tapuias e potiguares. Os fiéis, indefesos, preferiram professar sua fé a reagir. Padre André, mesmo diante da morte, pediu aos indígenas que não profanassem o altar. Foi, contudo, brutalmente assassinado pelo chefe potiguar Jererera, tornando-se mártir junto de 29 companheiros. A tragédia de Cunhaú simbolizou a perseguição religiosa do período. Padre André foi beatificado em 2000 e canonizado em 15 de outubro de 2017, na Praça São Pedro, no Vaticano, pelo papa Francisco. A Igreja Católica celebra sua memória e a dos protomártires do Brasil em 3 de outubro. São Vicente e a Baixada Santista podem se orgulhar de ter dado ao mundo esse santo brasileiro. Além do valor religioso, a devoção a Santo André de Soveral abre possibilidades para o turismo religioso, capaz de fortalecer a fé, movimentar a economia local e gerar empregos em hotéis, restaurantes e comércios. Saber desfrutar esse potencial turístico é algo que está ao nosso alcance, que possamos alavancar ainda mias nossa comércio, nossos hotéis, bares, restaurantes, e, principalmente a fé cristã, com as bênçãos de Santo André de Soveral. *Paulo Roberto D. Bonavides. Advogado e professor da UniSantos e da Unimes