Imagem ilustrativa (Freepik) A história mundial é pródiga em episódios curiosos de líderes políticos promovidos do cargo público diretamente ao altar da idolatria. O fenômeno costuma florescer em regimes totalitários, populistas ou em momentos de crise aguda, quando o governante deixa de ser apresentado como administrador e passa a ser vendido como salvador da pátria, aquele que promete resolver problemas estruturais com a facilidade de quem troca um pneu. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os exemplos são numerosos. Na Coreia do Norte, a dinastia Kim transformou o culto ao líder em prática institucional desde 1948, com veneração hereditária, em um modelo que combina política e sucessão familiar contrária a ideia de alternância de poder. Na antiga União Soviética, Joseph Stalin era oficialmente chamado de “Pai dos Povos”. O culto à personalidade tornou-se referência para outras ditaduras do século 20, quase um guia de como fazer. Na China, Mao Tsé-Tung foi elevado à condição de guia infalível da nação. Monumentos e citações espalharam-se pelo país com eficiência digna de campanha permanente, consolidando uma imagem cuidadosamente construída. Na Alemanha do pós-Primeira Guerra Mundial, Adolf Hitler foi alçado ao papel de figura messiânica. Sua palavra ganhou estatura quase sagrada, acima da crítica e, em muitos momentos, acima da própria lei. No Iraque, Saddam Hussein apostou na onipresença visual como estratégia. Estátuas, murais e retratos monumentais o exibiam como líder militar, beduíno tradicional ou estadista de terno impecável, compondo um portfólio cuidadosamente desenhado para ocupar todos os espaços. À luz desse retrospecto, chama a atenção a recente homenagem prestada ao presidente em plena Marquês de Sapucaí. O Carnaval sempre foi palco de crítica e irreverência. Quando, porém, a exaltação assume tom solene, mais próximo de consagração do que de sátira, a cena naturalmente desperta questionamentos. Quem promove tais reverências e com quais objetivos? A história demonstra que a idolatria política raramente é despretensiosa. Em geral, ela cumpre função estratégica e prospera em ambientes nos quais a crítica é vista como inconveniente e o pluralismo, como obstáculo. Democracias maduras, por sua vez, tendem a preferir líderes fiscalizados a líderes endeusados. Afinal, governante não é estrela pop em turnê permanente. Em regimes saudáveis, o protagonismo deve ser das instituições e da sociedade. Políticos passam. O samba, a crítica e o voto ficam.